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Chico Buarque lança o seu 30º álbum solo - “As Caravanas” -, onde esmiúça a alma do país, cantando a negritude e a fundamental influência que os seres humanos escravizados tiveram na formação social e cultural do Brasil.

Como poeta do cotidiano, Chico desfere um simbólico soco na cara da intolerância e do preconceito. E mais frontalmente à hipocrisia e à ignorância, que geralmente andam juntas e detratam o que não entendem.

Como se fosse um romance, onde cada música fosse um capítulo tudo parece intrinsecamente ligado para o enredo da história do Brasil, cantada em versos delicados, repletos de citações e fortes como um texto épico.

As Caravanas  (Chico Buarque)

Versos que parecem ter sido escritos para dissecar a formação da nação e do povo brasileiro e denunciar a falta de sobriedade de uma sociedade que vive séculos atrás e sonha com a escravidão. A gritaria ensandecida da intolerância. Sem espaço para o respeito e para o amor. Perde a vida.

Mas Chico veio resgatar e mostrar que o tempo da delicadeza, da poesia e da música ainda podem predominar e trazer o novo tempo, superando a insanidade bárbara de quem nem sabe o que esperar do futuro.

“Lembrar a meninice é como ir/Cavucando de sol a sol/Atrás do anel de pedra cor de areia/Em Massarandupió/Cavuca daqui/Cavuca de lá/Cavuca com fé/Oh, São Longuinho/Oh, São Longuinho/Quem sabe/De noite o vento varre a praia/Arrasta a saia pela areia/E sobe num redemoinho” (Massarandupió, com Chico Brown).

Em Blues pra Bia o poeta denota a homossexualidade para cantar que todas as formas de amar devem ser aceitas. “Que no coração de Bia/Meninos não têm lugar/Porém nada me amofina/Até posso virar menina/Pra ela me namorar”.

Massarandupió (Chico Buarque e Chico Brown) 

Mas sobrou crítica ácida para Tua Cantiga, a primeira deste disco a ser divulgada na internet. A parceria com Cristóvão Bastos soa antiga e moderna. Uma ode ao amor, mesmo “quando teu coração suplicar/Ou quando teu capricho exigir/Largo mulher e filhos/E de joelhos/Vou te seguir”.

O disco “As Caravanas” mostra que aos 73 anos, Chico Buarque canta a profusão da alma da sociedade brasileira dominada por sentimentos sem sentido de ódio e violência. Mas "que o Chico Buarque de Hollanda nos resgate”, como diz Caetano Veloso na sua bela Língua.

Com participação especial do rapper Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, Chico canta em As Caravanas que “essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão/De caravelas no alto mar/Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria/Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”Babam de ódio os fascistas.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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