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Winnie Madikizela-Mandela morreu aos 81 anos em Joanesburgo, na África do Sul, nesta segunda-feira (2). “A luta contra o racismo perde uma de suas importantes vozes”, diz Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

"É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo nesta segunda-feira", comunicou o porta-voz da família Victor Dlamini.

A ativista, nascida em Bizana em 26 de setembro de 1936, sofreu uma infecção nos rins e chegou a ser hospitalizada em 20 de janeiro. De acordo com a família ela fazia um tratamento prolongado e ficou internada várias vezes.

Ao lado de Nelson Mandela, com quem se casou em 1958, liderou a resistência ao apartheid (regime de segregação racial instaurado em 1948 na África do Sul, governado pela minoria branca).

Em 1964, o seu marido foi condenado à prisão perpétua e coube a Winnie manter acesa a chama da resistência ao apartheid, assim como não deixou no esquecimento a perseguição política sofrida por seu marido. Eles se divorciaram em 1996, dois anos após Mandela ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

Ela se tornou uma das principais lideranças do Congresso Nacional Africano (CNA, partido que comandou a resistência à segregação racial e está no poder desde 1994 com a eleição de Nelson Mandela).

“Winnie representa, junto com Mandela, um novo tempo, que para além da luta e resistência, visavam construir a cidadania", diz Custódio. "A luta dos dois é um exemplo para todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível”.

Chamada de a "mãe da nova África do Sul", Winnie foi presa diversas vezes sendo torturada, perdendo o emprego, ficando sem ter como sustentar as duas filhas. Por isso, Desmond Tutu, arcebispo aposentado e Prêmio Nobel da Paz, em 1984, afirma que a ex-esposa de Nelson Mandela significou o "símbolo definidor da luta contra o apartheid".

Para Custódio, “assim como Martin Luther King, que levou adiante lutas memoráveis pelos direitos humanos e civis de seu povo, Winnie e Mandela levantaram a importante bandeira contra o racismo, tornando-se grandes símbolos pela igualdade no planeta”.

Portal CTB. Foto: Mujahid Safodien/AFP/Getty Images

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