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Navi Pillay, Alta Comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou nesta sexta-feira (18) que os ataques do exército de Israel contra uma manifestação de palestinos na Faixa de Gaza, na terça-feira (15) podem configurar “crime de guerra”.

Nesse dia os palestinos relembram da Nakba (Catástrofe), quando em 1948, 700 mil árabes foram forçados a deixar suas casas e territórios que foram ocupados pelo recém-criado Estado de Israel. Desde então, todos os anos nesse dia, os palestinos protestam contra essa desocupação.

Milhares marchavam pacificamente e o Exército de Israel atirou contra os manifestantes matando 62 e ferindo 2.700 pessoas. “O genocídio praticado por Israel que conta com o patrocínio do presidente dos EUA, Donald Trump, merece total repúdio da comunidade Internacional”, diz Adilson Araújo, presidente da CTB.

Para ele, é natural que a ONU declare esse massacre como crime de guerra.  “Ao tempo que prestamos a nossa solidariedade ao povo palestino, cumpre importante papel a denúncia da limpeza étnica promovida por Israel".

Para a ONU, Israel ignorou a lei internacional sobre o uso da força ao atacar palestinos que protestavam em Gaza. “As regras para uso da força sob a lei internacional foram repetidas muitas vezes, mas parecem ser ignoradas repetidamente. Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”, afirma o órgão, pelo Twitter.

Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado, diz que “força letal só pode ser usada como último, não como primeiro recurso”. Já Pillay acredita que “Israel não fez o que devia para proteger a vida dos civis”.

De acordo com ela, desde o início da Grande Marcha do Retorno, em 30 de março, 74% dos mortos em Gaza são civis.  “O que acabo de descrever apontam para uma forte possibilidade de violação do Direito Internacional o que pode configurar-se como um crime de guerra”, reforça.

Já o relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos dos palestinos, Michael Lynk afirma que a condenação será “vazia se não for acompanhada de uma ação da Justiça e de uma prestação de contas por parte do Estado de Israel".

Lynk estima em “mais de uma centena” o número de manifestantes mortos pelas “mãos das forças israelenses” e em mais de 12 mil os feridos desde a Grande Marcha do Retorno. Muitos deles, com lesões “devastadoras”.

Para Araújo, “condenar as ações genocidas de Israel contra o povo palestino é uma necessidade da comunidade internacional. A Palestina deve ser reconhecida como um Estado soberano e seus direitos respeitados. O mundo quer a paz, mas uma paz que respeite a vida de todas as pessoas”.

Portal CTB. Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

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