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Entre os dias 23 e 26 de novembro ocorreu, na cidade Joanesburgo na África do Sul, o 12º Congresso Nacional da Cosatu (Congresso dos sindicatos sul-africanos).

A CTB prestigiou o evento por meio de seu secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira, que integrou uma comitiva da Federação Sindical Mundial (FSM) com o secretário-geral e o adjunto, George Mavrikos (Grécia) e Swadesh Devroye (Índia), respectivamente.

A atividade contou com a participação de 2.480 delegados de suas 18 federações e sindicatos filiados. Estes representam 2 milhões de trabalhadores. A delegação internacional foi composta por 50 representantes oriundos de 14 países.


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Este congresso, que ocorre a cada 3 anos, marca também a passagem pelo 30º aniversário da entidade, uma data especial para um novo e complexo ciclo político conquistado pelo povo sul-africano em 1994. Foi naquele ano que, sob a liderança de Nelson Mandela e com um fortíssimo protagonismo da classe trabalhadora, derrotou-se o apartheid e desde então desenvolvem a Revolução Democrática Nacional no país.

Até hoje esse processo é conduzido por uma estratégica aliança composta pela Cosatu, a Sanco (Organização Nacional Cívica da África do Sul) e o ANC (Congresso Nacional Africano, no qual atua o Partido Comunista da África do Sul).A Cosatu é a maior central sindical do país – que conta ainda com a Fedusa (federação dos sindicatos sul-africanos) e a NACTU (Conselho Nacional dos Sindicatos) – e desde sua origem tem uma orientação classista e estratégia socialista. Sua principal estrutura dirigente é composta por sete membros e liderada por um secretário-geral.

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Suas entidades filiadas organizam-se aglutinadas em dez setores: alimentação e bebidas; têxtil, madeira e gráficos; mineração e energia elétrica; motor e metal; petróleo e química; comerciários e hoteleiros; transportes, limpeza e segurança; autarquias e servidores públicos (educação, saúde, correios e telecomunicações) e trabalhadores domésticos.

As cinco maiores pertencem ao serviço público da educação e a saúde (NEHAWN); NUM; SADTU; SATAWU; POPCRU.

Entre 1995 e 2005 a taxa de sindicalização no setor privado se manteve em 32,4%, já no setor público cresceu de 50% para 68,4%.

Em junho deste ano a África do Sul tinha 13,4 milhões de trabalhadores, destes 3,7milhões estão sindicalizados, ou seja, 9,7milhões sem filiação. Portanto a taxa de sindicalização está em 27,6%. Deste percentual 59% são de homens e 41% de mulheres.
Há registrados no Ministério do Trabalho 180 sindicatos (117 sem filiação nas confederações); 23 federações e 03 confederações.

No último congresso decidiu por continuar filiada à CSI (Confederação Sindical Internacional), mas também à FSM. Em setembro de 2016 farão um seminário internacional para debater uma única filiação a FSM.

A dinâmica

A temática do congresso foi distribuída em 5 livros todos muito bem estruturados e com uma gama de informações sobre os aspectos políticos, econômicos, organizacionais, financeiros e internacionais. Revelaram um profissionalismo, mas também uma determinação de pesquisar a realidade do mundo do trabalho Sul-Africano.

No capítulo internacional chamou a atenção as elaborações da confederação afirmando a transição rumo a multipolaridade, o BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como um polo emergente em oposição a hegemonia unilateral dos EUA e uma profunda reflexão sobre o papel da China nesse quadro político.

O slogan do evento expressa uma preocupação tática diante dos desafios políticos atuais: “Unidade e coesão para avançar a Revolução Democrática Nacional”. A maioria de seus dirigentes reforçaram essa assertiva política.

A Cosatu demonstrou, mais uma vez, seu prestígio político. Este congresso contou em sua programação formal com a participação de dois Ministros de Estado – do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico. Todos eles apresentaram os resultados de suas pastas para um plenário lotado.

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Momento também especial ocorreu quando adentrou ao recinto o atual presidente da república, Jacob Zuma. Com uma capacidade de comunicação popular e interação impressionante - usou a palavra por quase duas horas - resgatou o papel histórico e atual da COSATU.

Outra fase importante da programação foi a exposição especial do Secretário Geral do Partido Comunista da África do Sul (SACP), camarada Blade Nzimande. Ele apresentou os desafios do projeto político nacional em curso e levantou alguns pontos que devem ser removidos para assegurar o avanço do país. Num deles ele frisou: “ O Estado nacional ainda está sob as amarras do período anterior a Revolução Democrática Nacional. Precisamos atualizá-lo para que mediadas estruturantes sejam viabilizadas”.

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Outra característica muito forte nos congressos Sul-africanos é a sua musicalidade. Faz parte constantemente, seja antes, durante ou depois dos trabalhos, o cantar empolgante por todos os participantes resgatando letras com suas lutas, trajetórias e valores.

Eleição da nova direção

É parte estatutária a eleição de sua direção no sistema de seus congressos nacionais ordinários. O atual Secretário Geral, Bheki Ntshalintshali, continuará por mais um mandato juntamente com outros cinco de seu coletivo anterior. Hoje o plenário elegeu o primeiro secretário-geral adjunto, o professor Solly Phetoe para compor a nova direção nacional da Cosatu.

A FSM

A comitiva da FSM, além dos dirigentes já citados, contou com a presença de seus assessores Alexandra Lymperi e George Bazionis.

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Coube ao secretário-gera, George Mavrikos, fazer uma exposição especial ao plenário do congresso. Saudou com entusiasmo os delegados, contextualizou politicamente o evento e convocou todos para o combate sem tréguas contra a barbárie capitalista. Resgatou ainda a história da FSM e os sindicalistas sul-africanos que já a dirigiram.

Ele anunciou que o próximo congresso da FSM, o 17º, será realizado na África do Sul e já antecipou o convite para que todas as entidades ali se façam presentes.

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“A crise capitalista massacra os trabalhadores, o imperialismo provoca guerras, reações terroristas e o genocídio contra os refugiados pelo mundo. Para enfrentar essa situação, tenho certeza que esse congresso dará passos firmes junto com a Federação Sindical Mundial”, concluiu Mavrikos.

Já o secretário-geral adjunto da FSM, Devroye, resgatou uma passagem de um discurso do presidente da Cosatu - “ Forças da América do Norte atuam para enfraquecer a Cosatu e a dispersão política entre nós”. No entanto, o dirigente indiano concluiu: “Pelo que assisti nesse congresso, a classe trabalhadora Sul-africana não permitirá”.

Em nome da CTB e da FSM do Cone Sul foi entregue à direção nacional da Cosatu uma carta de congratulações e agradecimentos. (clique aqui e leia a íntegra do documento).


Por Divanilton Pereira, secretário de Relações Internacionais da CTB e Coordenador da FSM do Cone Sul
Fotos: FSM

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