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Grupo de brasileiras e brasileiros residentes  nos Países Baixos, na Europa fizeram manifestação, neste 1º de Maio, em Amsterdã, capital da Holanda, contra o golpe no Brasil. Também divulgaram uma nota de repúdio. De acordo com os organizadores, holandeses e pessoas de outras nacionalidades aderiram ao ato.

"Reeleita democraticamente em 2014 com 54 milhões de votos, a presidenta Dilma Rousseff vem enfrentando um parlamento majoritariamente ultra-conservador, homofóbico, misógino, racista e neo-fascista, financiado pelo grande capital, que ataca os direitos da classe trabalhadora e das 'maiorias excluídas'”, diz a nota de repúdio. 

Leia a nota de repúdio na íntegra:

Apoiado por holandeses e democratas de outras nacionalidades, Nós, um grupo apartidário de brasileiras e brasileiros residentes nos Países Baixos, repudiamos a tentativa de ruptura da nossa democracia, reconquistada em 1985, após 21 anos de ditadura civil-militar.

Lamentavelmente, mais uma vez na nossa história, a parte privilegiada da sociedade — donos da grande mídia, empresários, banqueiros, donos de terras, altos servidores da justiça, parlamentares ultra-conservadores — se une para golpear nossa Democracia, conquistada com sangue e luta.

Há quatorze anos, durante os governos Lula e Dilma, o país vive importantes transformações sociais. Um grande segmento da nossa sociedade, sempre ignorado e excluído dos projetos dos governos anteriores, passou a ter voz e parte de suas reinvindicações atendidas por meio de secretarias especiais e de projetos de lei de ações inclusivas, participativas e afirmativas, dirigidas à remanescentes indígenas e quilombolas, LGBT's, mulheres, trabalhadores rurais, das favelas e periferias, negros, estudantes pobres, entre outros. Investimentos públicos nas áreas da saúde e educação foram realizados.

A implementação do Projeto Mais Médicos, da Lei de Cotas, do Fies, do Ciência Sem Fronteiras, do Pronatec, a construção de mais universidades públicas e escolas técnicas possibilitou que milhões de pessoas pobres e de classe média baixa fossem incluídas na sociedade brasileira, a caminho da cidadania plena. A correção anual e sucessiva do salário mínimo, o Bolsa-Família que garante renda mínima às populações mais vulneráveis, o registro em cartório da união entre pares homoafetivos, o reconhecimento do nome social e de identidade de gênero para travestis e transsexuais na administração pública, o reconhecimento legal do trabalho doméstico como profissão, entre inúmeras outras, foram medidas de grande importância, conquistas das lutas dos movimentos sociais e da sociedade civil, implementadas durante os quatro mandatos de governo Lula e Dilma, apesar do constante boicote de grupos da oposição de direita e das insistentes campanhas para desacreditá-los e demonizá-los.

Reeleita democraticamente em 2014 com 54 milhões de votos, a presidenta Dilma Rousseff vem enfrentando um parlamento majoritariamente ultra-conservador, homofóbico, misógino, racista e neo-fascista, financiado pelo grande capital, que ataca os direitos da classe trabalhadora e das “maiorias excluídas”. Tal parlamento, em conspiração com o vice-presidente da república, Michel Temer (PMDB) - citado nas investigações da Polícia Federal por crime de corrupção - seu parceiro de partido Eduardo Cunha - atual presidente da Congresso Nacional, inúmeras vezes indiciado por corrupção pela Procuradoria-Geral da República – e o partido do candidato derrotado por Rousseff (PSDB), tramam o impeachment da presidenta democraticamente eleita. Trata-se de um Golpe Parlamentar contra a presidenta, já que não há base legal que comprove o alegado “crime de responsabilidade”.

As corporações midiáticas brasileiras, com destaque à corporação Globo, têm propagado um discurso de ódio a um projeto de Brasil inclusivo, identificado primariamente com o PT, mas também com todo e qualquer adepto da esquerda, estimulando um ódio classista, racista, machista e LGBT-fóbico, historicamente enraizado na sociedade brasileira. Esse discurso e as políticas para as quais aponta devem ser interrompidos e revertidos. Os movimentos sociais e a sociedade civil organizada no Brasil e no exterior estão em constante mobilização nas ruas pela defesa da democracia, apontando também o caráter misógino dos ataques à presidenta, o qual Repudiamos veementemente, ataques estes que têm sido cotidianos na mídia hegemônica, nas ruas e no parlamento.

Rechaçamos as manobras feitas contra a Constituição e a execrável tentativa de golpe parlamentar contra o Estado Democrático de Direito no Brasil! Os conspiradores não têm legitimidade para passar por cima dos 54 milhões de votos que elegeram a presidenta do Brasil. Políticos, personalidades e a grande mídia estrangeira também estão denunciando a gravidade do momento político no Brasil, revelando seu caráter antidemocrático e golpista. Exigimos instituições idôneas, democráticas e verdadeiramente representativas de todo o povo brasileiro.

NÃO AO GOLPE!

Sim à continuidade e ao aprofundamento das políticas sociais e trabalhistas inclusivas!

Sim à mudança imediata da política econômica neo-liberal do governo em prol de uma política de desenvolvimento social não-privatista, humanizada e participativa!

Sim ao aborto legal!

Sim à reforma política!

Sim à reforma jurídica!

Sim à reforma tributária!

Sim à reforma agrária!

Sim à sociedade justa, igualitária e de bem-estar social para todos e todas!

Amsterdã, 1 de maio de 2016.

Fonte: Jornalistas Livres

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