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Ter, Jun

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O Fórum Social Mundial, que teve início na última terça-feira (19), em Porto Alegre, se encerrou neste sábado, com a aprovação da carta-compromisso elaborada pelos movimentos sociais organizadores do evento, no auditório Araújo Viana. A edição de 2016, comemorativa aos 15 anos de sua criação, tinha como objetivo principal debater democracia, paz, direitos dos povos e do planeta, através de palestras e mesas de convergências que contaram com a participação de pessoas vindas de diversos estados brasileiros e países da América e Europa.

Na plenária dos movimentos sociais, a secretária-geral da CTB-RS, Eremi Melo, coordenou a atividade que convergiu na aprovação da carta-compromisso. Todas as entidades presentes tiveram direito de contribuir com alguma sugestão de moção a fim de que fosse acrescentada ao documento final, caso aprovada pelos presentes.

O presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, aproveitou a ocasião para avaliar o FSM como positivo. “Desde que foi criado, o Fórum se constituiu como um importante instrumento de resistência da tese neoliberal que se alargava mundo a fora como última e única alternativa aos povos. Com a criação do Fórum dissemos ‘Não, um outro mundo é possível e vamos lutar para construí-lo’”, afirmou. O presidente da CTB-RS também falou sobre o Fórum de Davos.

Essa semana, acompanhamos os debates dessa plutocracia mundial, em que foi concluído que com a 4ª revolução industrial, baseada na internet dos objetos, em 5 anos, 5 milhões de trabalhadores serão jogados na rua do desemprego. O que preocupa é que esse dado não é discutido pelos integrantes desse fórum econômico, e sim constatado. Assim, percebe-se que o objetivo principal do Fórum de Davos é construir instrumentos para aperfeiçoar e ampliar a exploração dos povos. Portanto, cada vez mais, é imprescindível que a luta dos trabalhadores precisa ganhar força para suplantar o capitalismo e construir a sociedade socialista. Nesse momento histórico que vivemos, os movimentos sociais não podem vacilar, precisamos defender o mandato constitucional da presidente Dilma, temos que tomar as ruas, porque o golpe não representa retrocesso apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina”, defendeu. Ao finalizar sua fala, Vidor deixou uma sugestão. “Proponho uma jornada continental no final de maio ou início de junho, na cidade de Uruguaiana, em defesa da democracia, da paz e da integração dos povos”.

Após a apresentação de todas as moções, o sociólogo português, Boaventura Souza Santos, fez uma fala que era aguardada por todos. De cima do palco, o estudioso afirmou que o FSM, apesar de ter sido construído com o objetivo de ser um contraponto ao Fórum de Davos, teve como principal consequência viabilizar a vinda de governos populares e democráticos ao Brasil e a outros países da América Latina. “Precisamos analisar que hoje os tempos são outros. Em 2001, nossas lutas eram ofensivas, atualmente, são defensivas. Muitos fatores contribuíram para isto. Entre os principais motivos está que os movimentos sociais lutaram para que o governo populista chegasse ao poder e quando isto aconteceu, os movimentos descansaram”, afirmou. Boaventura disse ainda que quando o presidente Lula assumiu o país, as entidades de classe deveriam ter interpretado o acontecimento como o primeiro dia da luta, não como o último, a fim de que as reivindicações se confirmassem. “A luta política é conservadora, por isso, precisamos sempre lutar pela democracia e contra o golpismo. A melhor maneira de defender é atacar. Vamos seguir em busca de um mundo melhor com mais juventude e articulação sem lutas mesquinhas. Se formos fortes, a luta será forte”, finalizou.

Em breve, a íntegra da carta-compromisso será disponibilizada pela organização do Fórum. Mas sabe-se que a ênfase do documento é pela unidade para evitar retrocessos e em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Além disso, o texto também contempla temas como corrupção, moradia, programas governamentais, educação, reforma agrária, meio ambiente e saúde.

Texto: Aline Vargas / CTB-RS
Foto: Marina Pinheiro / Fecosul

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