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Uma onda de greves e protestos contra a reforma da legislação trabalhista promovida pelo presidente Françoise Hollande tem varrido a França. Trabalhadores protestam contra as medidas que promovem a diminuição dos direitos.

Seis das oito refinarias de combustível da França estão paradas, enquanto as outras duas funcionam a meio gás. A greve paralisa centros petrolíferos e centrais nucleares. Os controladores aéreos encontram-se também em greve. Nesta terça-feira (31), sindicatos do setor ferroviário também aderiram ao movimento por tempo indeterminado.

A expectativa é de que, nos próximos dias, o movimento avance ainda mais, paralisando mais postos. Os movimentos sociais envolvidos nas manifestações já indicaram que não devem parar se o governo não desistir da reforma. A greve é convocada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), a maior entidade sindical do país.

Conforme afirma Carlos Moreira, secretário-geral da FNIC-CGT (Federação Nacional das Indústrias Químicas), em entrevista concedida ao Portal CTB, as medidas afetam de forma irreversível os direitos da classe trabalhadora. “O projeto visa mexer nos direitos conquistados pelos trabalhadores e passar por cima dos sindicatos nas negociações coletivas, dando os direitos aos patrões de rebaixar salários e retirar direitos trabalhistas. Estamos em luta há 4 meses e vamos continuar”, avisa o dirigente.

De acordo com o dirigente, a iniciativa foi tomada sem qualquer negociação com o conjunto do movimento sindical. “Não houve conversa com os sindicatos. O projeto modifica o código trabalho mantendo direitos mínimo para trabalhadores com convenções coletivas por setor. A lei atual garante hoje que não se pode diminuir direitos, no entanto, esse projeto permite que durante a negociação rebaixe salários. O projeto quer promover um dumping social [adoção de práticas desumanas de trabalho, pelo empregador, com o objetivo de reduzir os custos de produção e, assim, aumentar os seus lucros]”, denuncia Moreira ao completar: “Ele passa por cima dos sindicatos. Com a nova regra, uma fábrica poderia negociar diretamente com os trabalhadores, sem intervenção dos sindicatos. Direitos como horas extras e adicional noturno poderiam ser retirados, afirma o sindicalista francês.

1 greve franca

Intransigência do governo

Desde o dia 31 de março cerca de 1,2 milhão de pessoas foram às ruas. As reformas do governo Hollande incluem ainda mudanças na carga horária de trabalho e na idade para aposentadoria.

Na tarde desta terça-feira (24), os trabalhadores do porto de Havre, responsável por 40% das importações do país, votaram a favor da adesão à greve. Os trabalhadores da refinaria em Le Havre, no norte do país, que responde à necessidade de energia em Paris, decidiu continuar a greve também esta semana.

“O governo é ocupado pela situação. Atualmente a França tem 8 refinarias. Dessas 6 estão em greve, não há produção há duas semanas. O setor econômico está parado. Estamos num confronto. A polícia comandada pelo governo tentar pressionar os sindicalistas com prisões. A situação está explosiva, mas continuaremos até o governo retirar a lei”, garante Moreira.

Apesar do apoio da dimensão que ganhou o movimento e do apoio da população (cerca de 70%), o presidente francês Hollande, apesar das greves, diz que não vai desistir da reforma trabalhista.

Sindicatos de diversos países já manifestaram seu apoio e solidariedade à paralisação e às justas reivindicações das trabalhadoras e trabalhadores franceses.

Cinthia Ribas - Portal CTB

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