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O continente europeu continua como expressão maior dos nefastos efeitos da crise capitalista entre os centros mais desenvolvidos. Sob a batuta da troika – Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu – tentam transformar as nações integrantes em meros condôminos dos interesses rentistas e, em particular, dos alemães. Nessa diretriz usurpam suas soberanias e põem em seus comandos políticos aristocratas ligados diretamente aos grandes conglomerados financeiros.

A direita e seus aliados impõem no continente uma agenda que pode ocasionar a maior regressão laboral e civilizacional dos últimos tempos. Pacotes antinacionais e antitrabalhos fazem recair sobre a classe trabalhadora, mais uma vez, o ônus dessa crise.

O resultado dessas medidas é o aprofundamento do colapso econômico e da dramática situação social, com destaque para os elevados índices de desemprego. Esses efeitos têm atingido em cheio os países mais frágeis da anexação promovida pela União Europeia.

A Grécia é uma das expressões dessa realidade. A “austeridade” aplicada naquele país – que alguns tentam emplacar novamente no Brasil – gerou uma contração no PIB de 25% nos últimos quatro anos, elevou a dívida pública para 170% do PIB, a taxa de desemprego antes em 8% ultrapassou os 25% e, entre os jovens até 35 anos, alcança 50%.

Contra essa calamidade social as trabalhadoras e os trabalhadores, destacadamente organizados pela PAME (central sindical grega), travaram fortes embates políticos. Grandes marchas nacionais e greves gerais foram as marcas da resistência social desse período.

Comprovando o fracasso dessa política liberalizante e direitista, o governo do então Primeiro-ministro Andonis Samarás, do partido Nova Democracia, oficializou seu fim e antecipou as eleições no país.

No último domingo (25) o partido oposicionista Syriza – fundado em 2004 e que tem em seu interior uma frente de organizações – conseguiu capitalizar a insatisfação popular e fez história com sua marcante vitória eleitoral. O Partido Comunista da Grécia (KKE) teve uma boa performance e elegeu 15 deputados.

Esse resultado é uma expressão institucional do acúmulo político gerado por todas as lutas empreendidas pelo seu povo, particularmente, de sua classe trabalhadora. Uma forte resposta contra o cataclismo econômico e social promovido pela União Europeia contra aquela nação.

Por essa natureza essa vitória tem uma dimensão que extrapola o território grego e pode impulsionar ainda mais as lutas contra a onda liberal e direitista que ameaça o velho continente.

Não me atrevo a especular quanto as possibilidades do novo governo ou sobre o programa do Syriza. Prefiro limitar-me a realçar uma vitória eleitoral oposicionista ocorrida dentro de uma região que, há anos, os trabalhadores vivem sob uma férrea e brutal agressão civilizacional e num preocupante crescimento da influência xenófobo e fascista.

Nesse contexto, reiteramos a nossa solidariedade ao povo grego, único capaz de conquistar e descortinar seus próprios caminhos para sua efetiva libertação.

Divanilton Pereira é  secretário de Relações Internacionais da CTB

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.