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Sim, 13 de março é dia de defender a democracia e a soberania do voto. Soberania expressa por 54 milhões de cidadãos que elegeram Dilma Rousseff em um processo limpo, legal, fiscalizado pela mais alta corte eleitoral, com as contas eleitorais auditadas, Dilma empossada dentro do rigor da lei, e, acima de tudo, com garantias expressas na Constituição Federal.


Sim, dia 13 estarei na rua, para defender a Petrobras. Maior empresa da América Latina, que representa 13% do PIB brasileiro, ou seja, de tudo que é produzido pelo país. Este patrimônio nacional ficou em 9º lugar entre as maiores petroleiras em 2014, ante o 13º lugar obtido em 2013, segundo a insuspeita revista Forbes. De acordo com a agência Reuters, a Petrobras é a maior produtora de petróleo do mundo, inclusive tendo ampliado sua produção em 3,3% no último ano. Já a americana ConocoPhillips, que ficou em segundo lugar, ampliou sua produção em apenas 0,4%. Mais ainda, o sistema Petrobras é responsável pelo desenvolvimento da nação com sua política de conteúdo nacional, que impulsiona a indústria brasileira. Todo este patrimônio é resultado do trabalho de 86.111 funcionários capacitados, briosos, que não se confundem com meia dúzia de dirigentes que usurparam da credibilidade da Petrobras para se enriquecer.

Dia 13 estarei na rua para exigir uma reforma política democrática que dê novo ordenamento às regras eleitorais, anseio da grande maioria da sociedade brasileira. Pelas regras atuais, a possibilidade de financiamento privado para as campanhas – tornando-se real a cada ano – leva o poder econômico a interferir na vontade do eleitor, invertendo a lógica e a representatividade da sociedade. A maior parte dos escândalos que vieram à tona (seja da Petrobras, do suiçalão, do trensalão, do Águas Espraiadas, entre outros) está relacionada à necessidade de financiamento da campanha eleitoral de determinados parlamentares. Com a reforma política democrática e com o financiamento público oriundo desta se coibirá a vinculação direta dos interesses empresariais com os parlamentares.

Na rua estarei, dia 13, para garantir os direitos sociais e trabalhistas. Não arredo um pé dos nossos direitos que estão ameaçados – seja pelas MPs 664 e 665, seja pelo PL 4330, ou por outra que se assanhe. Se for necessário fazer ajuste fiscal, frente ao quadro de incertezas econômicas advindas da crise econômica internacional, também conhecida como crise do capitalismo, este não deve ser sobre as costas da classe trabalhadora. Tais ajustes poderiam ser iniciados pelo sistema financeiro que tem auferido vultosas margens de lucro; pelas grandes fortunas que pagam pouco imposto; pela contenção das bilionárias remessas de lucro entre filiais e matrizes no exterior; enfim, poderíamos iniciar uma reforma tributária progressiva.

Por fim, e sem menos importância, para dizer não às tentativas de golpe orquestradas pela coalizão oposicionista que tem destilado ódio contra tudo que represente avanço em nosso país. Esta direita reacionária que é a junção dos partidos derrotados nas últimas quatro eleições, das desonestas redes de comunicação, somada aos representantes do capital internacional que por aqui varejam, e aqueles que durante anos, ou séculos, se cercaram de privilégios. Esta elite, que não se conforma em perder seus lugares garantidos em aeroportos, shoppings, universidades, intercâmbios culturais ao exterior, é quem tem vociferado alto e com dedos em riste contra os nordestinos, os trabalhadores e trabalhadoras, as donas-de-casa, as empregadas domésticas (tão cheias de direito), os jovens da periferia que fazem seus rolezinhos. A democratização dos espaços e das relações sociais é uma necessidade imperiosa dos nossos dias e um avanço que não pode ser obstaculizado.

Eduardo Navarro é diretor executivo da CTB, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e vice-presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe


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