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A Petrobras se vê atacada por todos os flancos. Por um lado, o pinga-gota “sob segredo de Justiça” que vaza de um inquérito mais propenso a justiçar algozes do que, efetivamente, fazer justiça à Petrobras e punir corruptos e corruptores. Por outro lado, o governo, acuado, não consegue defender suficientemente um dos maiores patrimônios do país, o pré-sal e toda a sua cadeia econômica, incluindo o emprego de milhões de brasileiros.

Há muitos interesses em jogo nessa tormenta da Lava Jato. A hipocrisia campeia. Empreiteiros têm relações próximas com presidentes e governos há mais de 50 anos. Milhares de políticos já receberam doações de empreiteiros, banqueiros... E deverão continuar recebendo. A Câmara dos Deputados decidiu manter esse sistema de “corrupção mal disfarçada”, sob o nome de doações de empresas para campanha.

A Lava Jato, que, segundo o jornalista Janio de Freitas, “lembra melhor uma agência de propaganda”, ajuda fazer o clima contra conquistas históricas do povo brasileiro, como as leis trabalhistas e o monopólio da Petrobras. O clima “de indignação seletiva” propiciou ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (poupado nas revelações da Lava Jato), a aprovação da terceirização geral. Da mesma forma, animou o senador tucano José Serra, que segundo o Wikileaks prometeu à Chevron (petroleira dos Estados Unidos), caso fosse eleito presidente, acabar com o regime de partilha do pré-sal. Senador, ele apresentou projeto de lei que propõe retirar da Petrobras o direito de ser a operadora exclusiva e de ter a garantia mínima de 30% das imensas jazidas do pré-sal. Pode significar perdas de R$ 40 trilhões para o país.

Na mesma toada da Lava Jato que bloqueia as atividades das grandes empresas do setor, desponta outro lobby: acabar com a exigência de conteúdo nacional na construção de equipamentos necessários à exploração do pré-sal. Isto também pode significar quebra de estaleiros e de centenas de indústrias periféricas e perda de milhares de empregos. O anúncio do novo plano de investimentos da Petrobras, com redução de 37% para os próximos quatro anos, pode ser um sinal.

Será? É a tudo isto que temos de nos opor para garantir nossos empregos e o presente e futuro do Brasil.

Alex Santos é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro

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