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Maus administradores tentam disseminar o falso consenso em torno da inevitabilidade das Prefeituras Municipais paulistas atrasarem o pagamento de salários, férias e décimo terceiro. Com a crise econômica nacional, esses maus administradores tentam arraigar a ideia de que só é possível equilibrar financeiramente os municípios sacrificando os servidores e o serviço público.

Nós já conhecemos as consequências dessa miragem que os "tais administradores" procuram vender para a opinião pública. Ansiosos para fugirem do compromisso com a Saúde, a Educação, a Cultura, o Esporte, a Ciência, o Meio Ambiente e a Infraestrutura urbana, e demais anseios da cidade, esses administradores apostam no enfraquecimento das políticas sociais e da capacidade dos municípios.

A lição mais importante que as últimas duas décadas nos deram é a de que os municípios se fortalecem, se recuperam e se desenvolvem quando tratam com zelo e visão os desafios e as necessidades do serviço público. A FTM (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Públicos Municipais do Estado de São Paulo) luta ao lado dos Sindicatos combativos e das forças sociais conscientes, pelo resgate do papel econômico e social do serviço público municipal.

Os servidores não podem cumprir a sua missão quando se tornam reféns da insegurança salarial e do medo. Salário, férias e décimo terceiro, depositados em dia na conta de todos os servidores públicos municipais, é o que defende a FTM, para que o trabalhador e a trabalhadora possam trabalhar sem medo, sem preocupações, como garante a lei e a justiça. Estamos dispostos a construir um modelo de desenvolvimento que aposte na valorização e não no rebaixamento profissional do (a) servidor (a) e na inviabilidade e na ineficiência das Prefeituras Municipais.

O desrespeito a pontualidade no pagamento do salário semeia o desrespeito à lei, semeia a descrença na Justiça e na capacidade do Estado. É um crime contra os municípios paulistas, contra os anseios da população e os direitos elementares dos servidores. Infelizmente, os males dessa situação de salários atrasados ameaçam milhares de servidores de dezenas de cidades paulistas.

No Brasil, ainda não conseguimos assegurar direitos para zerar as históricas categorias dos "sem" – sem-terra, sem-teto. Não podemos permitir que os maus administradores municipais se utilizem da crise para a criar uma nova categoria de “sem”: servidores “sem-salários”, “sem-décimo terceiro” ou “sem-férias”.

Wagner de Souza Rodrigues é vice-presidente da União Internacional Sindical (UIS) – Serviços Públicos (Trade Union Internacional), presidente da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Públicos Municipais do Estado de São Paulo (FTM-SP) e presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis.


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