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Seg, Set

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Nos últimos 13 anos conseguimos inúmeros avanços nas políticas voltadas para as mulheres no país. Recentemente comemoramos o aniversário dos 9 anos da Lei Maria da Penha e os 30 anos da instituição das delegacias específicas para as mulheres, o que já facilitou muito o caminho da denúncia das violações dos seus direitos por seus parceiros.

Com o surgimento do Disque 180, as mulheres criaram mais coragem de denunciar seus parceiros violentos e mais recente essas políticas de defesa dos direitos da mulher foram coroadas com a criação da Casa da Mulher Brasileira, um grande projeto que culmina num mesmo espaço com todo o tipo de atendimento às mulheres vulneráveis. A casa tem acolhimento das vítimas a atendimento psicológico, passando pela proteção às vítimas.

Mas nem tudo são flores. Apesar dos avanços, a mulher ainda ganha cerca de 30% a menos que os homens no mercado de trabalho. São as primeiras a serem demitidas e as que mais sofrem assédio nos locas de trabalho. Como mostra o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) as mulheres estão indo mais que os homens para a escola (34,9% das têm mais de 11 anos de estudo enquanto 31% dos homens contam com esse nível de escolaridade), mesmo assim os nossos salários são inferiores.

As mulheres negras estão em situação ainda pior, ficando na base da pirâmide do mercado de trabalho com os menores vencimentos e as funções mais onerosas. Isso ocorre por causa do preconceito, do racismo e do machismo de nossa sociedade. Mas tenho a certeza de que a nossa luta por igualdade de direitos inclui também os homens que devem compreender a importância de estarmos juntos para construir um país mais justo para todos e todas.

Mas o maior problema que enfrentamos ainda hoje refere-se à questão da violência. E quando falamos de violência não se trata apenas da violência física. Ela é sexual, psicológica e moral. A mídia nos trata como meros objetos, sem inteligência e sem sentimentos. Por isso, precisamos ser muito guerreiras para transpor essas barreiras e mostrarmos que temos a mesma capacidade dos homens para estarmos presentes nas instâncias de poder. Inclusive atacam a presidenta Dilma também por ela ser mulher e iremos para as ruas dizer não a amis essa violência e em defesa do seu mandato conquistado através do voto popular.

Seja na família, no trabalho, na sociedade ou na política precisamos manter o foco, a autoestima para mostrar que somos capazes de fazer o que quisermos fazer, em qualquer setor da vida. Buscamos ser respeitadas como seres humanos, como mulheres e como trabalhadoras.

Assim, estaremos nas ruas neste dia 20 para que os governantes enxerguem a necessidade de criação de mais políticas públicas que melhorem a qualidade da saúde, da educação, da justiça e de inclusão social. Por isso, levantamos a bandeira de mais mulheres nas decisões importantes sobre os rumos do país.

Gicélia Bitencourt é secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor