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Desde o dia 6 de outubro os trabalhadores bancários do Brasil estão em greve. Segundo as principais lideranças nacionais da categoria, a greve pode ser longa, dada a postura intransigente da Febraban nas diversas rodadas de negociação.

Para uma compreensão mais ampla da legitimidade do movimento paredista dos bancários, vale a pena pinçar alguns dados produzidos pela Rede Bancária do Dieese a respeito da situação das cinco maiores instituições financeiras do Brasil.

Os cinco maiores bancos do Brasil (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) têm 19.693 agências, 439.422 funcionários e ativo que atinge R$ 5,5 trilhões (dados de junho/2015).

Essas cinco instituições tiveram, de janeiro a junho deste ano, R$ 33,6 bilhões de lucro líquido total. Os dois gigantes privados do setor foram os campeões em lucro. O Itaú atingiu a marca de R$ 11,9 bilhões e o Bradesco, segundo colocado, alcançou um lucro líquido de R$ 8,8 bilhões.

Para traçar um paralelo entre esses ganhos bilionários e as despesas de pessoal, é importante resgatar uma situação que perdura há anos no setor. As receitas com prestação de serviços e tarifas alcançaram o montante de R$ 55,2 bilhões e o conjunto das despesas com pessoal ficou abaixo disso: R$ 41,6 bilhões.

Segundo esse estudo do Dieese, os bancos lucram muito, faça chuva ou faça sol. A origem principal dos lucros é o rendimento com os títulos da dívida pública atrelados aos juros elevados.

Mas os bancos ganham também com a desvalorização cambial e a inflação em alta.

Esse paradoxo revela uma dramática realidade da economia brasileira, exposta com precisão pelo Dieese. O Brasil convive com o descolamento do setor financeiro com o setor produtivo e a natureza da economia brasileira é predominantemente rentista.

Não são os salários dos bancários, portanto, que atrapalham a boa vida do setor financeiro. Romper com esse gargalo estrutural é uma das tarefas essenciais para pavimentar o caminho para um desenvolvimento democrático, soberano e com valorização do trabalho em nosso Brasil.

Nivaldo Santana é vice-presidente da CTB 

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.