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A Marcha Nacional de Mulheres Negras que ocorreu na quarta-feira (18), em Brasília, foi idealizada em Salvador, na Bahia, no Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI: Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodescendentes. E tem por objetivo marcar a luta pelo respeito, visibilidade e dignidade das Mulheres Negras.

Mais de 10 mil mulheres negras marcharam por um Brasil com soberania, com desenvolvimento social e econômico, sem racismo, discriminação, lesbofobia, machismo e intolerância religiosa.

Marchamos também contra a violência urbana que tem se traduzido em um grande genocídio para a população jovem e negra deste país. Entendendo esta como uma das maiores formas de violência contra a mulher - a violência contra seus filhos.

A violência urbana tem sido um dos temas mais abordados nos fóruns internacionais de direitos humanos, a exemplo da anistia internacional, que constata que as mortes nos estados brasileiros em sua maioria são ocasionadas pelas mãos da polícia, do Estado. É a ação do racismo institucional, do genocídio institucionalizado e banalizado pela mídia, pela direita elitista de ideologia branca que comanda o Congresso Nacional e vota a Redução da Maioridade Penal.

Marchamos contra a cultura da violência e da segregação racial e social que vem se cristalizando nas grandes cidades estimulada por estas mesmas elites de ideologia branca, que têm crescido entre a juventude de classe média alta.

Também marchamos contra a banalização da vida de nossos jovens, pelo fim dos autos de resistência, que vitimam nossos filhos em quase todas as regiões de nosso país, com grande incidência em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, e um índice maior de vítimas na região Norte/Nordeste.

Marchamos pelas nossas bandeiras essenciais, e pela manutenção de nossas vitórias históricas, como o Projeto de Lei 4.471, que prevê a adoção de mais transparência na investigação dos chamados autos de resistência, e a CPI da violência contra a população jovem, negra e pobre, eixos daquilo que defendemos como o Bem Viver. A defesa da CPI e as cinco emendas constitucionais, que tratam desde a elaboração de um plano nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens até a desmilitarização das polícias, se instituindo como uma grande vitória no sentido da estruturação de políticas públicas em educação, cultura, profissionalização, saúde, lazer, assistência, e acesso à Justiça.

Nós Mulheres trabalhadoras marchamos por mais avanços, por que segundo dados do IBGE nos últimos 12 anos, a partir do governo Lula e Dilma, cresceu a participação das mulheres trabalhadoras de maioria negra no mercado de trabalho formal, com acesso, inclusão e vitórias importantes no âmbito dos direitos sociais, históricos e econômicos, a exemplo da luta das trabalhadoras domésticas pela regulamentação dos seus direitos. Ainda assim, sofremos hoje ataques substanciais desse Congresso de maioria branca elitista e entreguista, aos direitos trabalhistas e sociais.

Por isso, as Mulheres Trabalhadoras Marcham Contra o Racismo a Violência e Pelo Bem Viver.

Mônica Custódio é secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB. Foto: Fernanda Ruy

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