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Seg, Out

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São duas forças nessa situação, que contam com apoio de outros setores com interesses secundários: a oposição, capitaneada pelo PSDB, particularmente Aécio Neves, que não se conforma com a derrota; e parte importante do PMDB, que nunca ganhou uma eleição presidencial pela disputa no voto, capitaneado por Eduardo Cunha e, ao que parece, apoiado pelo vice-presidente Michel Temer, um constitucionalista, defensor da institucionalidade, da legalidade, que está perdendo a razão para a possibilidade de assumir o governo. A expectativa é que sua posição seja externada firmemente nesta semana em defesa da Constituição, como tem sido sua praxe histórica.

Rapidamente vão tentar me corrigir e dizer que interessa ao povo, que desaprova o governo da presidenta Dilma e que gostaria de vê-la fora da presidência.

O fato é que este argumento não é suficiente para um impeachment. Não há previsão constitucional para ele. A única previsão legal para a saída de um mandatário desaprovado pela população é a próxima eleição. É da democracia!

Impeachment não é um julgamento meramente político, porque se assim fosse, outros governantes também deveriam ser afastados, a começar pelo governador tucano do Paraná, Beto Richa, que além de alta desaprovação popular, tem denúncia de corrupção em seu governo, que teve mais de 80 servidores presos, inclusive seu primo. Além do mais, ele efetivamente atentou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, alterando a meta fiscal do Orçamento de 2014 depois de encerrado o ano, em abril de 2015. Isso sim foi uma pedalada, isso sim é crime. O que fará o PSDB?!

No caso de Dilma, não adianta falar em crime, seja de responsabilidade fiscal ou outro, porque não há, o que já foi evidenciado por amplo debate feito durante o final de semana por juristas renomados, como Celso Bandeira de Mello e Dalmo de Abreu Dallari, apenas para citar dois.

Entre os setores apoiadores do golpe, destaca-se o mercado financeiro, que logo se precipitou em avaliações entusiásticas com a possibilidade de Dilma sair e entrar o PMDB com sua “ponte para o futuro”. O mercado vive de expectativa e especulação, e ultimamente tem apostado na negativa. Tirar direitos trabalhistas, desvincular o salário mínimo da inflação, deixar avançar o desemprego, são pontos que lhe interessam. Aliás, o mercado sofre, não porque as pessoas morrem, mas porque as empresas perdem valor, que o diga o caso de Mariana.

No meio a tudo isso, é interessante ver o PSDB pronto para apoiar o PMDB, depois de tantas críticas e denúncias.

Para terminar, ainda há que se ressaltar os que não apoiam o golpe e vão lutar contra ele. São forças progressistas da sociedade brasileira, não só representadas por partidos políticos, mas também por entidades de grande relevância nacional, como OAB, CNBB, CONIC, UNE, UBES, Centrais Sindicais, etc… que não deixarão um golpe como este manchar a jovem democracia brasileira.

Enganam-se os golpistas, se acham que será fácil perpetrar essa infâmia!

Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo PT do Paraná.

 Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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