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O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República será reestabelecido no próximo dia 28 de janeiro, após um certo período de inatividade. A reunião ordinária, coordenada pelo Ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, terá a presença da presidenta Dilma Rousseff. No contexto da crise política e econômica que o Brasil vive, o encontro pode significar um importante passo para estabelecer a união e o bom entendimento entre governo e sociedade civil na busca de soluções para enfrentar as turbulências da conjuntura.

Vivemos um ambiente de séria ameaça à democracia e é louvável a iniciativa do governo de se abrir, ouvir, dialogar e firmar uma aliança com os movimentos sociais e a sociedade civil em torno de uma agenda positiva para superar a crise, que tem a ver com a crise mundial do capitalismo e o legado ainda não superado do neoliberalismo.

A Nação reclama uma agenda desenvolvimentista. A característica democrática do CDES se fortalece quando ele volta atualizando a sua composição e inaugurando uma nova etapa. Ao nosso olhar, mais ainda, se incorpora como prioridade à Agenda do “Compromisso pelo Desenvolvimento”, um plano estratégico construído entre trabalhadores e empregadores, com alternativas viáveis e efetivas para superar a recessão e retomar o crescimento econômico.

A experiência do chamado CDES, inaugurado pelo então ministro Wagner ainda no governo Lula, demonstrou eficácia, sobretudo na construção de consensos que contribuíram para respostas à crise e impulsionaram um projeto nacional de desenvolvimento. Discutir e promover a retomada do crescimento é tarefa de todos e essa interlocução entre governo e sociedade, proporcionada pelo Conselho, nos dá a oportunidade de contribuir nesta batalha contra a ofensiva neoliberal, responsável por este período de incerteza, estagnação e retrocesso.

Nesse estágio de dificuldades que o Brasil vive, respeitadas as diferenças, entendemos que todo esforço deve ser concentrado no resgate da normalidade institucional. É preciso unir forças e reagir aos ataques da oposição, dos grupos de direita que, com o auxílio de uma mídia golpista e partidária, praticam a política do “quanto pior, melhor” para desestabilizar o País e revogar o mandato da presidenta. Ninguém em sã consciência deve se aliar a isso, até porque o povo pagaria um preço alto assistindo de braços cruzados o clima de instabilidade política e a paralisia do Congresso Nacional nos temas de interesse da Nação.

Reinaugurar o Conselho é um passo fundamental que pode contribuir para soluções importantes e emergenciais para superar a crise, promovendo uma reorientação na política econômica, editando um plano para combater o desemprego, promover a retomada do crescimento, a ampliação dos investimentos públicos e privados, a aceleração das grandes obras de infra-estrutura e uma nova dinâmica para a política industrial.

A crise também gera oportunidades. Acredito que, no mesmo espírito em que fizemos a Copa das Copas, quando muitos não acreditavam, temos tudo para dar certo, rompendo barreiras, superando dificuldades, projetando o Brasil para além das Olimpíadas.

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB