Ferramentas
Tipografia

Manifestação continental das trabalhadoras e trabalhadores das américas

A situação política internacional continua refletindo o desenvolvimento desigual das nações. O predomínio do rentismo no capitalismo contemporâneo atinge patamares incontroláveis e, também por isso, essa hegemonia ameaça o já débil padrão civilizacional atual. A crise capitalista em curso acelera essas contradições.

O arcabouço político e econômico constituído no pós-guerra não tem mais correspondência com as condições atuais. O consórcio imperialista liderado pelos EUA busca a manutenção de sua hegemonia e novos centros políticos enfrentam essa resistência.

Articulações inter-regionais, como o BRICS, são expressões desse novo esforço mudancista e reforçam a transição pela multipolaridade em escala mundial. A resultante é uma tensa e perigosa ambiência geopolítica.

O quadro político mais recente em nossa região latino-americana e caribenha também reforça a luta contra o hegemonismo imperialista.

A ascensão de governos progressistas a partir de 1998, juntando-se à histórica resistência cubana, criou novas possibilidades para nossos povos. No geral, suas orientações não estão identificadas com a agenda estadunidense e essas diretrizes nunca foram admitidas pelo império.

A derrota da ALCA há dez anos, a constituição da ALBA, a UNASUL e a CELAC são expressões desse novo tempo. No entanto, essas vitórias são partes de um processo ainda não consolidado. Uma construção com permanentes disputas e, por isso, contêm idas e vindas.

Atualmente, essas experiências sofrem ameaças e intervenções, chegando inclusive a já produzir derrotas no nosso campo político. Os resultados eleitorais na Argentina e na Venezuela, como também a tentativa de golpe no Brasil, são reveladores dessa contraofensiva direitista na região.

Não por coincidência, no marco dos dez anos do fracasso da ALCA, os EUA lançam o Acordo Trans-Pacífico (ATP) e ensaiam o acordo de comércio e serviços (TISA). São novas tentativas para anexar os países da região.

Esse conjunto articulado de ações imperialistas exigem uma reação também organizada e, sobretudo, unitária daqueles que se contrapõem ao poder dos EUA e de seus aliados em nosso continente.

Nessa perspectiva cresce ainda mais o papel do nosso sindicalismo classista. As suas organizações e articulações sociais devem assumir um novo protagonismo político, superar as querelas existentes e com um eixo político unitário, enfrentar com amplitude essas novas ameaças. A nossa omissão ou estreiteza política poderá provocar retrocessos e pôr em riscos os destinos de nossa pátria grande.

Entre o final de março e os primeiros dias de abril deste ano ocorrerão dois grandes encontros sócio-político em Montevidéu, Uruguai: O VIII Encontro Sindical Nossa América – articulação política-sindical que aglutina o sindicalismo classista de nossa região – e o Foro de Participação Cidadã da UNASUL.

Penso que devemos aproveitar a intersecção dessas agendas e lançarmos, através de um ato político, as pontes para a realização de uma grande manifestação continental unitária. A defesa da democracia, dos direitos sociais e contra os tratados do pacífico e do TISA podem ser as bandeiras unificadoras.

É uma tarefa imprescindível e de enorme relevância estratégica.

Mãos à obra!

Divanilton Pereira é Secretário de Relações Internacionais da CTB e Coordenador da FSM Cone Sul

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.