Opinião
Ferramentas
Tipografia

O Ministério Público Federal decidiu investigar a TV Globo por mais uma denúncia de racismo. Segundo reportagem do site de entretenimento da Folha, F5, a emissora estaria exibindo no programa “Big Brother Brasil” um utensílio de cozinha que estimula o preconceito. “O objeto, uma esponja de louça no formato de um boneco dos anos 1970, foi criticado nas redes sociais por remeter a uma ofensa racista, a de comparar os cabelos crespos à palha de aço, como ‘Bombril’ e ‘Assolan’. Após o Ministério Público Federal receber inúmeras representações contra a emissora desde o início do BBB-16, em 19 de janeiro, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro instaurou um ‘procedimento preparatório para apurar possível prática de discriminação racial’, como declarou em nota divulgada nesta quarta (3)”.

Um ofício do MPF já foi enviado à direção da TV Globo, intimando-a a prestar esclarecimentos. Mas o império global, que tem entre seus chefões o “intelectual” Ali Kamel, que obrou o clássico “Não somos racistas”, parece que não está disposto a ceder, apesar das críticas nas redes sociais, dos protestos das entidades contrárias ao racismo e da própria ação do MPF. “Ao ‘F5’, a TV Globo já havia informado que não retiraria o item da casa. Já o fabricante do boneco também rebateu as acusações de racismo, afirmando que não deixará de vender o produto”, relata o site de entretenimento da Folha. Pelo jeito, a turma da emissora gosta de estimular polêmicas sobre o racismo – mesmo que depois o ódio racial se volte contra celebridades da própria emissora, como a jornalista Maju Coutinho e as atrizes Taís Araújo e Cris Vianna.

Na semana passada, a rede de lojas da grife “Reserva”, criada pelo apresentador Luciano Huck, foi novamente acusada de estimular o preconceito racial. Ela exibiu na vitrine de uma das lojas da marca, no Shopping Rio-Sul, manequins de cor preta pendurados de cabeça para baixo e presos em cordas. As imagens circularam pelas redes sociais e provocaram uma onda de protestos. “Reserva. Sempre um mau gosto para montar vitrines e passar mensagens", postou um internauta. Muitos lembraram outras campanhas criminosas da grife, como a que foi acusada de estimular a pedofilia ao expor uma criança com a camiseta com a seguinte frase: “Vem ni mim que eu tô facin”. Diante das críticas, a direção da rede alegou que não houve “intenção ou traço de racismo na estratégia de marketing”. Tudo é “estratégia de marketing” para a turma da Rede Globo!

Altamiro Borges é jornalista, blogueiro e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alertnativa Barão de Itararé.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.