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A presidenta da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, vinha escondendo a sete chaves as medidas da malfadada reestruturação da Caixa Econômica Federal. E, finalmente, a “caixa de Miriam” foi aberta na sexta-feira (10).

Antes, ela encobriu as suas intenções malditas e mercadológicas dos valorosos representantes da Comissão de Empresa dos Empregados da Caixa, uma representação democrática e histórica da Mesa de Negociação Permanente entre a instituição e seus empregados.

Assim como o mito de Pandora, Miriam abriu e escancarou a ‘caixa’ que contém um arsenal de desgraças para os bancários, bancárias e para o povo brasileiro. A criatura vai ampliar as discórdias entre os empregados e gerentes e toda a sorte de doenças do corpo e da mente. O assédio moral, que tem se tornado uma prática comum, assim como as cobranças por metas inatingíveis, tendem a aumentar.  

De imediato, as medidas de Miriam atingem 570 empregados, liberados e ou recolocados para filiais centralizadoras e redes, o que corresponde a 10,06% dos atuais empregados (5.395) empregados da matriz. Serão extintas 437 funções gratificadas e 32 unidades dessa estrutura. Os efeitos da ‘caixa de Miriam’ começou pela matriz e filiais. Mas os burburinhos se espalharam, chegará à base, área-meio da Caixa, em todas as agências do País.     

No Estado de Sergipe, o pacote anunciado tem preocupado os funcionários. O Sindicato dos Bancários, ainda na última sexta, manteve contato com o superintendente regional, que estava em viagem e ficou de retornar o contato. O que ainda não aconteceu.

Em visita a agências da Caixa no interior do nosso estado constatamos o caos a que o banco tem submetido funcionários e clientes: redução no número de funcionários; condições inadequadas no trabalho, como problemas na refrigeração nos ambientes.  

Em Sergipe também, o Sindicato tem cobrado a superintendência a retomada das contratações que estão congeladas e continuamos a luta também no Ministério Público do Trabalho (MPT) e na Justiça. 

No plano nacional, ao lado da ‘caixa de Miriam, outro pacotão visa justamente o desmonte da Caixa enquanto patrimonial nacional: o Projeto de Lei do Senado (PLS) 555 que avança sua tramitação no Congresso Nacional. O PLS prevê a abertura de capital de no mínimo 25% das empresas públicas e altera diversos outros pontos do estatuto das estatais.

Fica claro que a ‘caixa de Miriam’ tem o desmonte e do papel social do banco, para fortalecer áreas de negócios. É adequação (ao PLS 555) à lógica de mercado. E olha que a “caixa de Miriam’ foi anunciada logo depois que a instituição financeira divulgou o lucro líquido de 2015, de R$ 7,2 bilhões, o que representa um aumento de 0,9% em relação a 2014. Com esse resultado fantástico, não tem razão de ser a justificativa econômica do pacotão.

A Caixa Econômica Federal está em condições de manter-se ampliando investimentos com valorização do trabalho, com a urgente contratação de mais empregados. Apresentou em 2015 um resultado de R$ 7,2 bilhões e como principais destaques do resultado do ano passado foram as receitas originadas pelo relacionamento com clientes nas contas correntes e cestas de serviços, que cresceram 30,7%, pelos cartões de crédito em 12% e pelos convênios e cobrança em 10,1%.

A carteira de crédito avançou 11,9% em 12 meses e alcançou saldo de R$ 679,5 bilhões, representando 20,9% do mercado. O crédito habitacional continuou a ser o principal destaque do crédito, com evolução de 13% no ano e saldo de R$ 384,2 bilhões. Este valor representa 67,2% do mercado do país.

Assim, a ‘caixa de Miriam’ foi aberta unilateralmente sem ouvir os empregados. Em um encontro relâmpago com os empregados, ela apresentou os tais eixos estruturantes e os objetivos da empresa. Nenhum debate. Nenhuma negociação. Nenhuma transparência. Ao contrário, manteve firme o descumprimento dos pontos acordados na Campanha Nacional dos Bancários: contratação de mais empregados; redução da coparticipação do Saúde Caixa e definição sobre o retorno do adiantamento odontológico, entre outros.

Os funcionários e funcionárias não têm ilusões: o pacote , a ‘caixa de Mirian’, representa o desmonte dessa instituição financeira pública. E nesse caso, na Caixa Econômica Federal o único ‘dom da esperança’ são a força e a mobilização dos funcionários e funcionárias e suas organizações sindicais que deverão resistir ao pacote da maldade.

A nossa missão é a defesa do emprego. E ao mesmo tempo, a defesa da Caixa 100% pública. Queremos transparência. Diálogo. Autonomia da Mesa de Negociação. E por aqui, o SEEB/SE prepara mobilização com os empregados contra a retirada de direitos e as condições de trabalho. #MOBILIZAÇÃOJA #FORAMIRIAMBELCHIOR! #ACAIXASOMOSNÓS

Ivânia Pereira, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE)

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