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Seg, Out

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Dia 17 de abril de 2016 é uma daquelas datas que vamos lembrar por anos, assim como foi há duas décadas atrás, quando tombavam 20 trabalhadores/as sem terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, pela mão armada da polícia daquele estado.

Em momentos assim, cai a máscara, a face do opressor se desvela e assume seus reais interesses, que se traduzem em manter o status quo se utilizando dos aparelhos do estado para oprimir aqueles que se levantam em defesa dos interesses coletivos da nação.

Foi assim em 1996, quando o governo tucano do Brasil (Fernando Henrique Cardoso) e o do Pará (Almir Gabriel) responsabilizaram os trabalhadores pela chacina de Eldorado de Carajás, e a mídia golpista massificou sua versão de que a polícia havia apenas se defendido do ataque violento dos trabalhadores sem terra. O poder judiciário se calou e as famílias dos mortos até hoje lutam por justiça. Ou seja, prevaleceu a força dominante.

No momento atual, o Brasil enfrenta a fúria dessas forças dominantes que não admitem ver os oprimidos ou, nos dizeres de Gramsci, “os despossuídos” se levantarem e ocuparem espaços nas estruturas de poder exigindo igualdade de oportunidade entre homens e mulheres, brancos e negros, índios, homossexuais e etc. O interesse individual de manutenção de privilégios da classe dominante se sobrepõe aos interesses coletivos, apoiado pelos setores conservadores de parte da elite empresarial, da mídia e do judiciário

O que o Brasil presenciou no dia de ontem foi o espetáculo do terror, a dramaturgia do fascismo, em que senhores e senhoras de meia idade invocaram exaustivamente o nome do seu “Deus” e de seus familiares para justificar sua opção por punir uma pessoa inocente (Dilma Rousseff), que não é denunciada em nenhum esquema de corrupção, em prol de um gângster. Esse grupo de parlamentares execrou o conceito de laicidade do estado que figura em nossa Constituição Federal.

Sob o argumento de combate à corrupção, eles se preservaram das investigações e golpearam o Estado Democrático de Direito, aprovando a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, eleita democraticamente pelo voto direto do povo brasileiro. E em seu lugar querem empossar pelo voto indireto um corrupto, investigado pelo Ministério Público Federal.

É hora de arregimentar forças, dialogar com os mais amplos setores da sociedade, organizar o povo renegado por séculos e garantir a democracia, a liberdade e os direitos sociais arduamente conquistados. O ódio de classe, gênero e raça que a classe dominante destila, não triunfará, o povo brasileiro tem histórico de lutas e desafios, não desistirá. Vamos juntos até a vitória.

Raimunda Gomes, secretária de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

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