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Após oito meses de engodo, finalmente a Comissão de Ética da Câmara Federal aprovou nesta terça-feira (14) o pedido de cassação do mandato do correntista suíço Eduardo Cunha.

Por 11 votos a nove, os deputados acataram o parecer do demo Marcos Rogério que afirma que o lobista quebrou o decoro parlamentar ao mentir sobre as suas contas no exterior. "Estamos diante do maior escândalo que este colegiado já julgou. Não se trata apenas de omissão, de mentira, mas de uma trama para mascarar a evasão de divisas, a fraude fiscal", justificou o deputado do DEM - a mesma legenda que sempre deu sustentação ao golpista na sua missão fraudulenta pelo impeachment da presidenta Dilma.

O processo contra Eduardo Cunha foi o mais longo da história da Comissão de Ética. A representação contra o famoso bandido foi entregue pelo PSOL e Rede em 13 de outubro do ano passado. Enquanto serviu aos interesses golpistas, ele teve o seu mandato preservado e ainda presidiu a Câmara Federal. Após o show de horrores da sessão de 17 de abril, que deu a largada à derrubada de Dilma, ele passou a ser descartado pelos seus comparsas. Até o deputado do Solidariedade, sigla de Paulinho da Força - um dos líderes da tropa de choque do achacador -, traiu Eduardo Cunha na votação desta terça-feira. Tia Eron, discípula da Igreja Universal do Reino de Deus, também abandonou o seu antigo herói! 

Para piorar ainda mais a situação do descartado golpista, nesta mesma terça-feira a Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de todos os seus bens e da sua esposa, Cláudia Cruz, ex-jornalista da TV Globo. Na mesma sentença, o juiz Augusto César Pansini, da 6ª Vara Federal de Curitiba, pediu a quebra do sigilo fiscal de Eduardo Cunha desde 2007. A decisão atendeu ao pedido da força-tarefa da Lava-Jato, que solicitou que o correntista suíço devolva R$ 20 milhões - montante referente a valores movimentados em contas não declaradas no exterior. Já a ex-apresentadora global deverá devolver o equivalente a R$ 4,4 milhões - parte gasta em hotéis e lojas de luxo na Europa e EUA.

E a agonia do bagaço golpista não parou por aí. Também nesta terça-feira, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder o prazo de cinco dias para que a defesa do presidente afastado da Câmara dos Deputados se manifeste sobre o pedido de prisão apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Circula o boato em Brasília de que Eduardo Cunha e sua esposa poderão ser levados para a cadeia na próxima semana, o que só aumenta o clima de tensão no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto.

Na semana passada, ao perceber que seria descartado após liderar o trabalho sujo do impeachment de Dilma, o vingativo mafioso deixou explícito que não morreria sozinho e que poderia delatar uns 150 deputados que sempre mantiveram relações carnais com ele. Nas contas da própria mídia, Eduardo Cunha ajudou a eleger - com recursos financeiros de fontes duvidosas - 120 parlamentares em 2014. Além disso, ele foi decisivo na montagem do governo golpista de Michel Temer, o decorativo. Vários ministros do "interino" até entraram em campo para tentar salvar o seu mandato, mas o lobista avalia que o empenho não foi o suficiente e estaria disposta a ligar o ventilador no esgoto.

Uma boa palavra-de-ordem para este momento de alegria com a aprovação do seu pedido de cassação é "Delata Cunha". 


*Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.