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Após 31 dias de greve, uma das maiores nas instituições financeiras da nossa história é chegada a hora de agradecer a todos e todas que participaram dessa luta. Os Bancos e o governo jogaram todo peso para nos impor um reajuste abaixo da inflação. Resistimos com unidade, organização e garra. Em todo o país o judiciário e as seccionais da OAB, exceto a OAB Sergipe, iniciavam ataques sem precedentes ao direito constitucional de greve. O governo golpista articulava-se com os banqueiros para não permitir reajuste maior que 7%. Tinham como projeto derrotar a primeira categoria a realizar uma greve nacional nos tempos de exceção do Estado Democrático e de Direito.

A categoria travou uma batalha sem precedentes, num cenário de muitas incertezas e ameaças à democracia, aos direitos trabalhistas e sociais, neste sentido lutamos o bom combate, os bancários e bancarias foram à luta e arrancamos dos banqueiros e do governo o que afirmavam em não concordar. A conquista do abono integal dos dias parados que não tinha acontecido há muitos anos foi uma conquista importante. Nos Bancos Públicos a garantia das PLRs sociais distribuídas linearmente - sempre ameaçada. Por isso temos muito a comemorar.

O que ficou claro para todo o país é que os bancos queriam negociar em patamar da era FHC, índice zero, para reduzir custos e ampliar lucros. A estratégia dos banqueiros é parte de uma visão global do mercado financeiro, no último dia 28/09 o FMI (Fundo Monetário Internacional), que não dava palpite aqui desde 2003, reapareceu e aconselhou ao governo golpista de Michel Temer aumentar a resiliência e a eficiência no setor financeiro. Na linguagem bancária, ampliar a rentabilidade sobre o patrimônio líquido, reduzindo despesas.

Os bancos, ao contrário da indústria, não compram insumos, matéria prima, compra mão de obra para prestar serviço. Mais de 70% das despesas operacionais dos bancos são com salário e para aumentar ainda mais os lucros estratosféricos e alavancar a rentabilidade sobre o patrimônio líquido, os bancos precisam reduzir salário. Por isso, demite e contrata muita gente todo ano, num processo de rotatividade que atinge quase 10% da categoria. Demite quem ganha R$ 6 mil e contrata por R$ 3 mil.

A despeito do que esperavam os bancos, o governo e o FMI, a categoria protagonizou uma das mais extraordinárias greves, batemos recorde de paralisação. Verificamos uma participação vigorosa de bancários jovens. Especialmente numa conjuntura de golpe, completamente adversa tivemos no país com 504 mil bancários e bancarias, acreditamos que cerca de 350 mil cruzaram os braços, em Sergipe mais de 2500 participaram da greve. É de dar orgulho.

É chegada a hora de fazermos um balanço e comemorarmos as vitórias da greve e nos prepararmos para as lutas contra a retirada de direitos e em defesa das questões específicas de cada banco. Aqui em Sergipe precisamos dar uma atenção especial à pauta específica do Banese que julgamos insuficiente.

Parabéns a todos e a todas, em especial aos que se mobilizaram nos piquetes, nas assembleias, passeatas e atos. Um beijo no coração de todos e todas.

Ivânia Pereira é presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe e secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

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