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Dom, Out

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O golpista Michael Temer informou nesta segunda-feira, 21, que pretende enviar em dezembro ao Congresso Nacional o projeto de reforma da Previdência do governo, aquele que, a pretexto de combater o déficit fiscal, estabelece a idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, além de outras maldades contra a classe trabalhadora.

O anúncio foi feito em Brasília durante a primeira reunião do grupo de amigos em que foi transformado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). O “Conselhão”, como ficou conhecido, foi criado por Lula com o objetivo de debater temas relevantes relativos ao desenvolvimento do Brasil e apresentar propostas da sociedade ao governo.

Sua composição original, ampla e democrática, reunindo diferentes setores e atores sociais, refletia a pluralidade de opiniões e ideologias que caracterizam o Brasil real. Sob Temer, o CDES mudou de caráter e natureza. O golpista promoveu um expurgo radical no órgão, antes que sua primeira reunião fosse realizada.

“Renovou” 70% do Conselhão, dele excluindo todas as lideranças e personalidades que se posicionaram contra o golpe e são críticos ao governo ilegítimo instalado no Palácio do Planalto. Entre os excluídos estão os representantes da CTB, CUT, CNBB, MST, MTST, FUP, UNE. O ator Wagner Moura também integra a lista de dissidentes afastados.

Vejam como reagiu o jornalista e escritor Fernando Morais, nas redes sociais, ao ser informado de sua exclusão: “Acabo de receber um telefonema de uma senhora do Palácio do Planalto informando que meu nome foi excluído do Conselho Econômico e Social da Presidência da República, para o qual eu havia sido nomeado pela presidenta Dilma Rousseff. Será que essa gente imaginava que eu permaneceria no conselho de um governo espúrio e golpista como o do Temer?”

O “Conselhão” do Lula foi transformado por Temer num “clube de amigos” identificados com o golpe, um espaço autoritário e exclusivo do pensamento único dominante, ou seja, do neoliberalismo. Dele já não se deve esperar ideias ou propostas favoráveis aos interesses do povo e ao desenvolvimento nacional soberano e democrático.

É curioso notar que o golpista manteve as representações da Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB no CDES. Os dirigentes dessas centrais julgaram que seria mais conveniente permanecer sobre o muro enquanto rolava o golpe. Evitaram condenar abertamente o processo golpista travestido de impeachment e se reuniram com o usurpador antes mesmo do afastamento definitivo de Dilma Rousseff.

Preservar essas lideranças no novo conselho não foi apenas um gesto de reconhecimento ao posicionamento acrítico ou simpático ao golpe (que, por sinal, custou a algumas dessas centrais certo descrédito e perda de público na internet, ao contrário do que vem ocorrendo com CTB e CUT). Parece óbvio que o usurpador aposta na divisão do movimento sindical, como bem observou o jornalista Altamiro Borges (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/11/temer-joga-na-divisao-do-sindicalismo.html).   

Apesar de não criticarem abertamente o golpe as centrais em questão (Força Sindical, UGT e Nova Central, além de CTB e CUT) unificaram posição contra as propostas de reformas previdenciária e trabalhista do governo golpista, estiveram juntas nos atos realizados dia 11 e estarão reunidas novamente na manifestação nacional, com paralisações, convocada para a próxima sexta-feira, 25.

Os golpistas temem a unidade da classe trabalhadora e não pouparão esforços para dividir as centrais. As exclusões e inclusões no Conselhão não são os únicos sinais da tentativa de cooptação, um movimento que o governo certamente julga imprescindível para impor o retrocesso neoliberal. A mobilização e conscientização das bases sobre a ofensiva reacionária em curso, desafio maior deste momento histórico, é o que pode frustrar os objetivos dos golpistas e fortalecer a unidade das centrais.  

Umberto Martins é jornalista e assessor da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

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