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Em uma entrevista da Barbara Walters, em 1977, Fidel disse:

¨Nossas ideais não as mudamos por nenhum dinheiro, nem por nenhum interesse material (…) Sou um homem realista e gosto de ser sincero (…) não escondo a mina vida , nem as minhas origens, não tenho por que inventar absolutamente nada (…) se eu fosse um homem falso, se as minhas ideias não fossem profundas e sinceras, não teria podido convencer ninguém neste país (…) mina vida tem sido sempre uma luta constante contra mim mesmo, ou melhor, um esforço de superação constante (…) O que compreendo eu quando gritam, Fidel! Ou quando me beijam ou sou aplaudido? Eu não posso pensar que é mérito meu. Neste caso sou tomado como símbolo¨.

A ilha caribenha, desde a noite do dia 25 de novembro, vive um silêncio atípico. Para quem já teve a oportunidade de estar em Cuba, sabe que esse não é o estado natural do país do som e da clave. Embora muitos afirmem que Fidel os preparou para este momento, a dor, a reflexão, o respeito e a admiração estão presentes nos rostos de cada uma das três ou quatro gerações de cubanos aqui na Ilha.

A Praça da Revolução, na noite do dia 29 de novembro, foi uma amostra nacional e internacional de homenagem ao comandante. A dimensão simbólica do seu legado estava expressa no rosto de cada cubano e estrangeiro que ali estava, ia ganhando corpo nas palavras expressas pelos chefes de Estado que discursaram. O silêncio só era quebrado com aplausos e comentários que assentiam a concretude da obra revolucionária.

Os fragmentos discursivos dos presidentes e ministros traziam à luz a relação dialética de Fidel entre a firmeza e a ternura. Do homem que, dotado de uma enorme sabedoria política e intuição, soube chegar ao seu povo através deles e dos seus mestres trazendo não somente a dignidade para Cuba mas para toda Nossa América e a África.

Ensinou-nos que somente um povo que se reconhece e busca em si próprio, nas suas origens, sem imitar ocidente, é capaz de se libertar das amarras coloniais e imperiais. Que a unidade, a solidariedade e o respeito à soberania entre os povos devem andar juntas no combate ao imperialismo. Que existe a solidariedade desinteressada, aquela que liberta sem pedir nada em troca. Que socialismo é dividir o que se tem e não o que sobra.

E impossível falar do Fidel com frieza, mas é possível falar dele de forma concreta através do seu legado. Fidel não se foi, ele está presente em todos aqueles que o reconhecemos na alfabetização de Cuba, nas brigadas de médicos pelo mundo, nos desportistas cubanos, nas bolsas de estudo para estudantes em faculdades cubanas, na luta pela independência de Angola, no combate ao apartheid, no combate às ditaduras em Nossa América. Fidel é símbolo desta e de outras tantas ações. Ele é símbolo daqueles que nos inspiramos no seu exemplo para lutar por um mundo humanamente melhor e sustentável.

Como dissera José Martí, um dos seus mestres, ¨A morte não é verdadeira quando tem se cumprido bem a obra da vida¨.

A caravana até Santiago de Cuba saiu ontem às 6 horas da manhã de Havana. Fidel será inumado no cemitério da Santa Efigênia em Santiago de Cuba.

Laura Porcel é assessora da secretaria de Relações Internacionais da CTB. Fez graduação na Universidade de Havana. Ela participa das homenagens a Fidel Castro em Cuba. 

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