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Os resultados das eleições para cargos municipais realizadas recentemente em todo o Brasil quase não são discutidas. E não tem merecido a devida atenção do  movimento dos trabalhadores. Esta é uma questão que deveria ser devidamente avaliada, mas sem deixar de lado a forma de envolvimento dos mais diferentes segmentos sociais. E o primeiro ponto a ser destacado tem a ver com o fato de que foram eleitos vereadores, que em tese, deveriam se representantes de uma comunidade. Mas esta não é a realidade.

Os moradores de um bairro ou de uma das regiões de uma cidade votam levando em consideração fatores como a simpatia, a forma de comunicação usada pelo candidato, a divulgação da candidatura, sem que,infelizmente, sejam debatidas com ele determinadas propostas. E depois de eleito, não é muito comum nem rotineiro  o trabalho do edil junto aos moradores, a não ser em casos isolados. Não há muito a dizer também em relação aos Prefeitos. São pessoas que na maioria dos casos são empossados e agem como  se estivessem começando a dirigir um sistema empresarial. O tempo vai passando, os mandatos vão sendo exercidos, e os fatos se repetem a cada a quatro anos. Cabe então um questionamento, ou seja, não são incomuns as críticas e reclamações, onde toda a classe política é colocada no mesmo nível.

Mas, o eleitor tende a se colocar como fiscal, mas não se dá ao trabalho de avaliar o trabalho de quem foi eleito, mesmo que tenha sido com o seu voto. Ao escolher o nome, ele está assumindo também uma responsabilidade. Sem esquecer que numa eleição, dependendo do momento, dos acontecimentos, tem eleitor que se  abstém, outro anula o voto e tem ainda quem vote em branco. Para não estender demais o assunto e as criticas e autocriticas, que tal se cada comunidade se organizasse nas associações de  moradores para elaboração de uma pauta de reivindicações de questões que são de interesse do bairro? O mesmo procedimento poderia ser adotado pelos sindicatos patronais e de trabalhadores, por organizações estudantis, e todas elas, em determinado momento e conforme o assunto,podem cobrar dos legislativos e executivos os encaminhamentos adequados. 

Por enquanto a questão está se referindo aos legislativos e executivos municipais. Mas a ideia pode ser estendida também aos Deputados Estaduais e Federais, os Senadores, os Governadores e Presidentes da República. Mas em suma esta é uma proposta a ser avaliada e que leva em conta uma questão essencial que é a busca de soluções que não levem em cona apenas interesses corporativos. E mais, que cada morador, cada eleitor fique ciente da importância  da participação, sem omissão, na busca da construção de um ambiente adequado para a comunidade onde convivemos.E que o movimento sindical atuante e combativo avalie e discuta formas de indicar candidatos, afinal de contas, a classe trabalhadora precisa estar presente nos mais diferentes setores da administração pública e dos parlamentos.

Uriel Villas Boas é Secretário de Previdência da Fitmetal-CTB e da ASIMETAL- Associação dos Siderúrgicos e Metalúrgicos Aposentados do Litoral Paulista.

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