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Temer é ensaboado, não dá pra acreditar no que ele diz. Principalmente quando a gente vê como são rasteiros os argumentos do seu governo para mexer num sistema de Previdência Social que, hoje, garante a renda única de mais de 30 milhões de brasileiros. Com tanta história contada pela metade e tanta desinformação circulando por aí, todo mundo quer saber: Será que gente vai conseguir se aposentar? Precisava mesmo mexer na Previdência agora?

O governo diz que a Previdência dá prejuízo e que sem reformas vai quebrar. Uma mentira cascuda! Entenda. A Previdência faz parte do sistema mais amplo da Seguridade Social, no qual estão outras áreas importantes, como a Saúde e os programas sociais. A soma dos orçamentos dessas áreas ficou no azul em quase todos os anos recentes, chegando à incrível marca de R$ 76 bilhões de “lucro” em 2013.

Para te convencer de que existe o tal “rombo”, além de omitir este “detalhe”, a turma do Temer considera como verbas da Previdência apenas a soma das contribuições de trabalhadores e empresas ao INSS, da qual descontam o pagamento das aposentadorias. Feita dessa forma, a conta dá prejuízo. Mas só porque eles “esquecem” de somar outras fontes de receita, como parte da grana arrecadada pelas loterias e impostos federais como Cofins e CSLL, que o governo por lei é obrigado a transferir para a Previdência. E também porque bilhões de reais saem dos cofres da Previdência para cobrir outras despesas do governo como, principalmente, o pagamento de dívidas junto aos bancos. Sacou o tamanho do problema?

Luta de classes – Por trás deste debate se desenrola o conflito de interesses entre trabalhadores e patrões, que fica sempre mais acirrado em momentos de crise como o atual. Nessas horas a elite tende a atacar com força redobrada todas as instituições criadas para garantir bem-estar aos trabalhadores, como é o caso da Previdência. Ricaços, banqueiros e patrões defendem que o papel do Estado é apenas garantir liberdade aos mercados e supremacia dos interesses individuais sobre os coletivos. Para eles, enfrentar injustiças sociais e reduzir desigualdades são tarefas secundárias. Já nós trabalhadores defendemos um sistema de seguridade universal, solidário e orientado para a igualdade, nos marcos da Constituição de 1988. Pois entendemos que, por meio do Estado, uma sociedade evoluída deve amparar as pessoas na velhice, no desemprego, na doença e em todas as situações em que estiverem impossibilitadas de obter renda para sustentar suas famílias.

Não aceitamos o modo como está sendo encaminhada a reforma, sem discussões mais profundas no Congresso Nacional e sem nenhuma forma de consulta à sociedade. Gostaríamos de opinar, mas sabemos que Temer tem ouvidos moucos e está de costas para os trabalhadores. Para ele, tanto faz se as pessoas só puderem pedir aposentadoria integral aos 90 anos, idade superior à expectativa de vida no país. Por isso, os sindicatos e movimentos sociais devem se organizar para resistir e evitar retrocessos.

Abaixo as reformas de Temer! Eleições diretas já!

Marcio Ayer é presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

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