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Sex, Set

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Já repararam que começou um falatório contra os sindicatos? Essa fofoca vem da mídia, dos empresários, dos políticos golpistas já conhecidos e de outras carinhas novas que apoiaram o corte de gastos sociais e a terceirização do seu emprego. Os mesmos que também estão empenhados em acabar com a sua aposentadoria.

Dizem que quando a negociação direta valer mais do que as leis trabalhistas, os sindicatos vão se valorizar perante os patrões. Só que ao mesmo tempo querem criminalizar os sindicatos e acabar com suas fontes de custeio. Dá pra entender? Qual é verdade nessa história toda? Algumas pistas. Quem quer acabar com os sindicatos acha que os trabalhadores têm direitos demais. Querem cortar esses direitos com a conversinha de que isso vai gerar mais empregos. Só não falam que serão empregos com salários menores e sem as proteções legais que demoramos séculos para conquistar.

Quando olhamos para trás, dá pra ver o quanto os sindicatos já fizeram e ainda fazem pelos trabalhadores. No início do século passado, quando não havia regras trabalhistas, era comum encontrar crianças trabalhando em meio a adultos em jornadas sem fim nas fábricas e no comércio. Foram os sindicatos que organizaram a sociedade para forçar a criação de leis que acabaram com essa desumanidade dos empresários. Nosso sdindicato dos Comerciários foi, inclusive, um dos líderes da conquista da jornada de 8 horas em 1932. Nos tempos em que a ditadura militar sufocava os direitos, a voz e a vontade dos brasileiros, você lembra quem tomou a frente da luta pela democracia? Foram os sindicatos. Mesmo na Constituição Cidadã de 1988, uma série de avanços só foi garantida à classe trabalhadora graças à força dos sindicatos. Sem falar em tantas greves e outras mobilizações dos sindicatos que ajudaram nós trabalhadores a enfrentar o arrocho salarial dos governos Sarney, Collor e FHC.

Além disso tudo, sindicatos combativos como o dos Comerciários do Rio fiscalizam pra valer as condições de trabalho nas empresas e denunciam os esculachos dos patrões. E todas essas lutas e direitos não caem do céu. Existem graças a participação e às contribuições que fazemos. Sabemos que tem muita gente mal intencionada que se utiliza dos sindicatos só para se dar bem. Mas você acha que a solução é cair na conversa da raposa e entregar o galinheiro? Claro que não! Nós, comerciários cariocas, mostramos que essa história pode ser diferente. Unidos, colocamos os sanguessugas para correr, estamos reconstruindo nossa entidade com participação e democracia e hoje temos cada vez mais conquistas e respeito.

Só reclamar não adianta. Sem o Sindicato, o trabalhador fica na mão do patrão. Defenda esse patrimônio. Se o seu sindicato não é de luta, tá na hora de participar mais, fiscalizar e não deixar malandro tomar conta. Vem que a casa é sua! Vem pra luta você também!

Marcio Ayer é Presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.