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Por Ana Prestes

A cientista política e especialista em relações internacionais, Ana Maria Prestes, analisa os acontecimentos que se sobressaem no cenário internacional. Nesta quarta-feira (26), a visita mal explicada do ministro  da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, aos órgãos de espionagem e repressão dos Estados Unidos, o desmonte da política externa brasileira e a crise entre Irã e os Estados Unidos são destaque.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, esteve bem faceiro nos últimos dias nos EUA. Dá pra ver, pelos seus tuítes, que ali se sente literalmente em casa. Enquanto no Brasil, a imprensa, o parlamento e as redes debatem suas mensagens inconfessáveis reveladas pelo The Intercept Brasil nas últimas semanas, ele posa ao lado de autoridades da DEA (Drug Enforcement Administration) e do EPIC (El Paso Intelligence Center), enquanto anuncia para Foz do Iguaçu um projeto piloto para guarnecer as fronteiras. Por óbvio, não vamos encontrar nas redes e na imprensa comercial a verdadeira agenda de Moro nos EUA em pleno #VazaJato gate.

Também está nos EUA outra figura controversa, para não dizer golpista, latino-americana. Trata-se do ex-chefe da inteligência da Venezuela, Christopher Figuera. Inspirados no já consagrado slogan da Vaza Jato “Não é muito tempo sem operação?”, poderíamos dizer o mesmo sobre a ofensiva dos EUA sobre a Venezuela. Passados os fracassos de 23 de janeiro, 23 de fevereiro e 30 de abril, estava tudo muito sereno, só se falava do conflito entre EUA e Irã, até que ontem a imprensa se alvoroçou com as declarações de Figuera de que “Maduro pode cair”. Após dois meses “escondido” na Colômbia, Figuera foi utilizado por Elliott Abrams, delegado especial de Trum para a desestabilização da Venezuela, para mandar um recado a outras autoridades venezuelanas: “não o trouxemos para os EUA, mas estamos contentes por ele estar aqui” e, ao anunciar que as sanções contra ele foram retiradas pelo governo americano, reforçou: é “um sinal para outros funcionários sobre o futuro, em que poderão fazer o mesmo”. Uma espécie de: podem conspirar que nós damos guarita.

O jornal britânico The Guardian publicou ontem (25) um artigo que aborda o desmonte da política externa brasileira pelo governo Bolsonaro. No texto, o jornalista diz que históricamente a atuação do Itamaraty era considerada “uma das jóias da política latino-americana” com um serviço perspicaz, confiável e altamente treinado. Mas que com seis meses de governo Bolsonaro e Ernesto Araújo como chanceler houve uma verdadeira demolição do trabalho. A argumentação é corroborada por uma série de diplomatas brasileiros entrevistados pelo autor.

Segundo matéria da FSP, diplomatas brasileiros receberam nas últimas semanas instruções específicas sobre como tratar em foros multilaterais de questões que envolvam debates sobre gênero. A orientação é de que os representantes brasileiros expressem “o entendimento do governo brasileiro” de que “a palavra gênero significa o sexo biológico: feminino ou masculino”. Seria uma “retomada” da definição tradicional de gênero, segundo o Itamaraty.

A escalada da agressão norte-americana sobre o Irã teve novo episódio ontem (26). Após o anúncio de mais sanções americanas, o presidente iraniano Hassan Rohani chamou de “ultrajantes e idiotas” as novas medidas. Nas suas palavras, “os americanos parecem desesperados e confusos, o que os fez adotar medidas estranhas e falar coisas sem sentido. Esta Casa Branca é retardada mental e não sabe o que fazer”. Ao mesmo tempo em que o presidente falava na TV, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Shamkhani, informava que o Irão vai tomar novas medidas para reduzir ainda mais os compromissos assumidos no acordo nuclear internacional rompido unilateralmente pelos EUA a partir de 7 de julho. Após as declarações, Trump foi ao twitter: “a muito ignorante e insultante declaração do Irã publicada hoje só mostra que eles não entendem a realidade. Qualquer ataque do Irão contra qualquer coisa americana será respondido com força grande e arrasadora. Em algumas áreas, arrasador vai significar erradicação”. As ameaças de Trump ocorrem poucos dias após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, ter afirmado que o presidente não pode atacar o Irã sem autorização. Diplomatas experientes diriam que os ataques verbais de parte a parte podem estar ofuscando negociações que vem ocorrendo nos bastidores. A ver.

Um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU assinado por Philip Alston foi liberado nos últimos dias e trata dos efeitos do aquecimento global sobre parte da população mundial que já é mais vulnerável. Segundo Alston, o mundo caminha para um “apartheid climático”, onde ricos compram saídas para os piores efeitos do aquecimento global e os pobres têm que suportar o peso das consequências ambientais. O relatório cita o Brasil ao dizer que Bolsonaro planeja permitir mineração na floresta amazônica e restringir a demarcação de terras indígenas, além de enfraquecer mecanismos de proteção ambiental. Cita ainda que o governo brasileiro desistiu de sediar a COP (conferência mundial sobre o clima) em 2019. Há também um alerta para os governos em geral de que confiar “exclusivamente” no setor privado para a proteção contra o clima extremo e a elevação do nível do mar pode ser a porta para “violações massivas de direitos humanos, com risco de que os ricos terão necessidades atendidas e os pobres serão deixados para trás”. As consequências podem ser a insegurança alimentar de centenas de milhões, além de imigração forçada, doenças e morte.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem uma resolução em que estabelece a criação de uma “Missão Política” ao Haiti a ser instalada em 16 de outubro, após o fim da missão de estabilização remanescente da Missão de Paz que atuou por 13 anos (finda em 2017), previsto para 15 de outubro. A votação contou com a abstenção da delegação da República Dominicana e da China. A delegação chinesa justificou sua abstenção pelo fato dos EUA terem vetado emendas ao texto da resolução que acrescentavam a ponderação de que as mudanças climáticas agravam a situação do Haiti. A delegação da Republica Dominicana disse que se absteve, pois a resolução cria uma missão com funções e recursos muito limitados para ralmente trazer paz e estabilidade ao Haiti. A resolução chega em um momento de profunda crise política e econômica do país.

No Sudão segue o apagão da internet que já dura três meses, enquanto o país ferve em protestos violentos e enfrentamentos entre a oposição civil e governo militar de turno. O blecaute imposto pelos militares começou em 3 de junho e resultou em perda quase total do acesso à internet em um país de 40 milhões de pessoas.

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