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Qua, Jan

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Os donos do poder levantam-se inteiros contra o povo brasileiro, principalmente contra os trabalhadores e trabalhadoras. Revelam em sua sanha unitária os sentimentos mais torpes de ódio, preconceito, menosprezo, desvalor, elevados exponencialmente à sua capacidade de mando e desmando, de força e desconstrução brutais. Sentem-se donos da vida e da morte, de tudo que há no eito e na senzala.

Os donos do poder provocam tempos instáveis, de muita insegurança; permissivos a todo tipo de medievalismo; de licenciosidade à toda violência contra a grande maioria da população: expropriada, explorada, pobre e inconsciente da situação. Tempos em que o conservadorismodominante e seus matizes alimentam e constroem espaços à excepcionalidade reacionária.

Ao povo e à classe trabalhadora, resta a resistência de trincheiras contra o golpe neoliberal e seus objetivos nefastos; aos ataques contra seus direitos e sua dignidade humana, para manterem-se vivos literalmente. Nunca foi tão necessária a resistência ao árbitro; nunca foi tão necessária a unidade dos que lutam por mais frágil que seja; nunca se precisou tanto da política enquanto solução aos problemas.

A trincheira mais próxima é a greve dos rodoviários, que paralisa a região metropolitana por 5 dias; demonstrando a essencialidade desse serviço e a importância dessa categoria de trabalhadores. Mais de 1 milhão de pessoas dependem desses coletivos sucateados,insuficientes e sujos para ir e vir precariamente. Uma concessão pública que exorbita as tarifas, permite salários miseráveis e a super-exploração dos profissionais; no entanto, enriquece vultuosamente os proprietários de ônibus.

A greve dos rodoviários e Rodoviárias demonstra força na unidade de ação da categoria, no seu ânimo de resistir até à vitória. Possivelmente é a mais compacta contra os patrões, a justiça e os governos estadual e municipais; e com um grande diferencial: maior apoio da população, maior apoio da Frente sindical e dos movimentos sociais, maior consciência dos trabalhadores.

Redução da jornada de trabalho, aumento real de salário, segurança no trabalho e aos usuários, melhores condições de transporte e de trabalho, direito inalienável de greve são justas reivindicações que vão de encontro à reforma do Trabalhista neoliberal, mas atende as necessidades básicas de bem-estar do povo. Por isso não foi à toa a reação do judiciário, a reação da polícia do Jatene, a reação do patronato criminalizando o movimento com o apoio da grande mídia.

O ataque virulento dos dominantes locais é porque os Sindicatos dos Rodoviários, filiados à CTB, são autônomos, não tergiversam com os direitos da categoria, não conciliam com os empresários como era useiro e vezeiro. Além de defender seus exorbitantes lucros com as armas da justiça e do governo estadual, os donos de ônibus desejam enfraquecer e derrotar essas combativas diretorias que resgataram a dignidade e o espírito de luta dos rodoviários.

Os dominantes locais declararam a greve abusiva. Abusiva é a justiça ao querer inviabilizar a greve com o percentual de 80% de ônibus na rua, com as multas diárias, com o interdito proibitório; abusivo é o preço da passagem; abusiva é a insegurança e a morte de trabalhadores e usuários; abusiva é a péssima qualidade do transporte coletivo oferecido; abusivos são os baixos salários da categoria; abusivo é a abusiva jornada de trabalho!

Portanto, a vitória dos rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba será de todos nós. Será a vitória, nesses tempos difíceis, da unidade classista dos trabalhadores e do povo contra seus algozes. Já é um belo exemplo de resistência para o país.

Érico Leal é diretor do SEPUB Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do Pará e Municípios/CTB Pará.


 Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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