Sidebar

21
Ter, Maio

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

EUA, Inglaterra e outros 15 países da União Europeia (EU) anunciaram a expulsão de diplomatas e funcionários russos em retaliação ao suposto envolvimento do Kremlin no envenenamento do agente duplo Sergei Skripal (que entregou dezenas de espiões russos à inteligência britânica) e sua filha Yulia em 4 de março na Inglaterra. Moscou nega a acusação, que não foi comprovada, e com razão interpreta a atitude dos EUA e Europa como uma provocação.

Putin promete responder no mesmo tom. Os EUA devem expulsar 60 russos e fechar o consulado da Rússia em Seattle. A Inglaterra anunciou dia 14 a expulsão de 23 diplomatas e Moscou disse que vai mandar de volta a Londres um número igual de ingleses. Os demais países (Alemanha, França, Polônia, Lituânia, República Tcheca, Itália, Espanha, Holanda, Dinamarca, Suécia, Letônia, Estônia, Finlândia, Romênia e Croácia, além de Ucrânia e Canadá, que não fazem parte da UE) prometem expulsar, em conjunto, 45 diplomatas.

É notório o crescimento das tensões entre o Ocidente, liderado pelo imperialismo anglo-americano, e a Rússia. A reação em bloco dos países europeus é também sintomática do agravamento dos conflitos, que por enquanto estão confinados à esfera diplomática, mas cujos desdobramentos são imprevisíveis e projetam um cenário sombrio sobre o horizonte histórico.

Pretexto

É bem provável que a versão britânica sobre o envenenamento do espião seja um pretexto para justificar a crescente hostilidade contra o governo Putin, conforme denunciam os russos. O recurso à mentira é recorrente na diplomacia americana e inglesa. Acabar com “armas de destruição em massa” que não existiam foi o pretexto do governo Bush para desencadear a infame guerra contra o Iraque em 2003.

Na realidade, motivações geopolíticas mais profundas e relevantes estão por trás da agressividade das potências imperiais, entre elas os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, onde Moscou impôs limites e revezes à política expansionista da OTAN. O Ocidente está sendo derrotado na Síria e não conseguiu emplacar seus objetivos na Ucrânia.

Transição conturbada

Após o fim da desastrosa administração de Boris Yeltsin (que governou a Rússia de 1991 a 1999, deixando uma herança de fome, desemprego e decadência) e a ascensão de Vladimir Putin ao poder, a Rússia foi aos poucos retomando sua soberania, restabelecendo a saúde econômica e fortalecendo suas Forças Armadas, a ponto de ressurgir como grande potência militar destinada a desempenhar um forte protagonismo na geopolítica internacional.

O renascimento da Rússia - combinado com a ascensão econômica, política e militar da China e a criação do Brics – alterou profundamente a correlação de forças internacionais entre as nações, confrontando o unilateralismo dos EUA e a pretensão imperialista das decadentes potências ocidentais de domínio global.

O mundo vive um processo de transição para uma nova ordem internacional, cujo desenho já vem sendo esboçado pelo Brics, pela nova rota da seda, pelo banco asiático de infraestrutura, entre outras iniciativas e acontecimentos. A recuperação histórica da Rússia também está compreendida neste movimento.

A reação das potências imperialistas, um exemplo de revolta do velho contra o novo que se insinua, é um sinal de que o processo que já está em curso na história não será tranquilo nem pacífico e pode desaguar na guerra. A violência ainda continua cumprindo as funções de parteira da história.

Umberto Martins é jornalista e assessor da CTB

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.