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Por Mônica Custódio

Cantávamos esse refrão como forma de protesto nos 90. De lá para cá foram quase 30 anos. E passou-se muitas águas por baixo dessa ponte. Que ponte?  Essa, essa mesmo: Á ponte para o Futuro... Sim essa que nos apresentaram nos pós golpe, depois de retirar da presidência a primeira mulher presidente dessa INdigna nação, sem qualquer materialidade processual. Tudo depois de quatro vitórias consecutivas do povo que conheceu o progresso através do Desenvolvimento Econômico Inclusivo, desse povo que conheceu a cidadania, que teve emprego, que pode estudar, pode ter moradia e saúde. Vida digna! 

Mas então dizíamos que os anos de 80, e 90 como foram conceituados, como as décadas perdidas, do ponto de vista econômico estrutural.

Sabíamos que depois do golpe, o que seguiria seria o retrocesso econômico e político. sabíamos que a “Ponte para o Futuro” representava nada mais que atraso. Só não podíamos esperar por essa tsunami, não podíamos acreditar neste resultado eleitoral, pois nos era nítido que esse retrocesso seria abissal, pelo seu contexto de violência, de fake News, intolerâncias, preconceitos, racismo, machismo  e tantas outras evidencias, que para além do retrocesso nas relações humanas, o econômico e o político, teríamos também materializado esse processo na história e no contexto sócio cultural de nosso país.

É uma grande perca, para as nossas relações internacionais, para a nossa construção geopolítica no cenário global e regional, e de maior impacto para a nossa nação, para a nossa população. Essa população plural, e cultural etnicamente. Estamos diante do inimigo!

Um inimigo histórico, de classe, do humanismo, da humanidade...do povo brasileiro. Maior população de maioria negra fora da Diáspora africana.

O que celebrar, refletir neste 13 de maio? Podemos até salientar nas reflexões, os pontos neuvráugicos do Pós Abolição, e as consequências do racismo estrutural. E quando fizermos, e faremos, teremos a nítida impressão de que estamos período colonial. 

O ano de 2018 foi muito representativo, e em todos os níveis, começando com uma grande perca humana (Marielle Franco), social e política. Seja pela sua representação, pela sua capacidade de integração, pela interseccionalidade com os movimentos sociais. O que nos atingiu tinha como objetivo enfraquecer os movimentos sociais em toda a sua frente e esfera, nos sugerindo uma grande derrota do ponto de vista social/histórico. O que nos deveria derrotar, nos fortaleceu. pois nos remeteu a reflexão, nos apresentando um velho cenário, com métodos e costumes aparentemente superados. 

Contudo, tão impactante quanto o assassinato de Marielle Franco, foi o resultado eleitoral. Resultado este que chega confrontando e afrontando toda uma população, uma base social, uma história de luta por liberdade e democracia.

A base do pensamento social brasileiro aparece desfigurada, algumas máscaras retiradas e outras caídas, e esse cenário traz à tona as várias formas de racismo, preconceito, e a centralidade da radicalização, no contexto atual identificado pela política de ódio, ingrediente essencial para a ação do estado e grupos neofacistas. A energia dessas estratégias se configura nas manifestações de violência, e desprezo (saúde, e educação pública), descaso (desemprego/esvaziamento do espaço industrial do município) e da violência (Violência obstétrica/violência policial/encarceramento em massa), todas essas atitudes perversas, e genocida, teve endereço. como as balas perdidas nos grandes centros urbanos, a população negra.

A soma destas estratégias de ação do estado, baseado nas ideias do facismo   se concretizam, no corpo negro. É o valor da conta a ser paga pela população brasileira, NÃO EXISTE JUSTIÇA, EXISTE PENA DE MORTE.

Todas essas formas e métodos apresentada pelo Governo Federal, de destituição dos direitos individuais e coletivos, dos direitos trabalhista, dos direitos de organização dos trabalhadores, dos ataques a previdência, as universidades, e a educação básica, e os profissionais de ensino, assim como terceirização do estado ampliando o estado mínimo, as perspectivas de privatização, a liberação do porte de armas. Tudo isso se justificam, quando a potencialidade central do pensamento da burguesia brasileira (Cidadãos de Bem), estão nelas representadas, através da hierarquização, negação e banalização do direito de SER humano. 

Assim por tanto, nos deparamos por tanto em uma crise institucional em um estado de forte características fundamentalistas, com auto índice de Intolerância Religiosa, alto índice de feminicídio, homofobia, e as mortes desenfreadas de jovens e crianças negras nas comunidades. Entrelaçando todas as formas que o ódio se apresenta, tendo como tática a “liberdade de expressão” e de estratégia, a redução da população negra, infelizmente. É a política da morte como método de gerir o estado.

 

Mônica Custódio é Secretária de Políticas de Promoção de Igualdade Racial da CTB.

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