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A mais nova modalidade de ataque contra Lula, protagonizada por pessoas analfabetas inclusive moralmente, é levantar dúvidas sobre a possibilidade de o ex-presidente ter lido 21 livros em 57 dias.

Isso parte de pessoas que enxergam a leitura de livros como se fosse um daqueles campeonatos para ver quem come mais hambúrgueres em menor tempo, ou quem bebe latas de cerveja mais rápido, sem respirar.

Só pode.

Do hábito da leitura não se exige nada além da disposição para ler e certa concentração, mais nada.

A leitura não requer nenhuma habilidade especial, nem tampouco talento.

Da leitura se exige dedicação, se exige interesse pelo teor do livro que se tem às mãos.

Em minha juventude, no final dos anos 80, época de vacas muito magras, o país atravessava um crise econômica gravíssima.

Naquela época eu cheguei a morar numa garagem, onde havia apenas uma cama e uma torneira. Não havia energia elétrica, logo não havia televisão, rádio ou qualquer outro tipo de distração.

Naquela época lembro-me de ter lido, à luz de velas, praticamente todos os livros de Jorge Amado e Monteiro Lobato, retirados por empréstimo da biblioteca do Centro Cultural do Jabaquara, em São Paulo,

A leitura daqueles livros naquele instante, como uma espécie de bálsamo, atenuou a minha dor, tirou-me daquela situação degradante.

A leitura, como uma espécie de máquina do tempo, me transportava para outros lugares, longe dali, onde era feliz enquanto aprendia sobre as belezas da Bahia, lendo São Jorge dos Ilhéus, ou me divertindo com as invencionices do Visconde de Sabugosa, enquanto lia “O Poço do Visconde”.

A leitura daqueles livros me libertou.

Num país onde o hábito da leitura não tem lugar de destaque, onde certos setores da sociedade, que hipocritamente fingem cultivar esse hábito, tentam “glamourizar “ o hábito de ler, numa tentativa cruel de excluir as pessoas mais humildes do universo maravilhoso composto pelos livros, cabe a cada um de nós defendermos Lula e o seu direito de ser quem ele é, do jeito que é, lendo o que quiser ler, dispondo do tempo que achar necessário dispor para isso.

Numa sociedade em que muitos se informam através de postagens mentirosas nas redes sociais, através de artigos caluniosos, de vídeos violentos, de programas policialescos e matérias sensacionalistas veiculadas por jornais e revistas cujo único propósito é perpetuar a exclusão das pessoas mais humildes, relegando às tais apenas tarefas onde não precisam de predicados intelectuais adquiridos com a leitura, numa sociedade bárbara assim se faz mais do que necessária a defesa da honra e do legado do homem que, enquanto presidente, foi quem mais investiu em Educação nesse país.

Siga lendo muitos livros, presidente Lula.

A leitura não é uma competição, a leitura é prazer, a leitura é uma bandeira de liberdade.

Os livros que o senhor está lendo representam a liberdade que, tenho certeza, o senhor voltará a desfrutar mais cedo do que tarde.

Siga livre, Lula.
Siga lendo.

Diógenes Júnior é assessor sindical, acadêmico em História, ativista político, pelos Direitos Humanos, pai do Fidel.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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