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Ter, Mar

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Inicialmente “como um bom físico” com uma frase de Albert Einstein: “O inteligente resolve um problema, o sábio o previne”.

Mas na questão da segurança pública está faltando sabedoria. Afinal de onde vem essa crise social toda? Quais os reais motivos? Por que nossos jovens estão sendo tão facilmente cooptados para o mundo do crime? Onde falhou o Estado? Onde entram as famílias nesse processo? E principalmente, quais as soluções?

Precisamos entender que a segurança pública, é um dever do Estado, e enquanto o Estado não mudar a concepção de segurança pública, o caos continuará atingindo níveis alarmantes e altamente nocivos para a população, principalmente a mais pobre e “visualmente” taxada como suspeita. Visualmente porque para o Estado, existe um modelo de bandido, escancaradamente exposto pelos agentes pelo Estado designados.

Desagregar segurança pública de outras políticas públicas é um erro recorrente que se arrasta há décadas em nosso país, além da segurança, temos diversos outros direitos constitucionais que precisam ser assegurados, e que se não forem oferecidos de maneira articulada e planejada, dificilmente servirão ao povo. Paralelo a isso, temos aqueles que patrocinam esse caos social, patrocinam porque vivem dele, precisam dele para vestir a falsa manta de profeta das soluções, usando o discurso furado de que se combate violência com a própria violência.

Somente no estado do Pará, mais de 1.000 escolas rurais foram fechadas nos últimos 5 anos. Escolas que atendiam esses jovens que estão ainda em fase de formação, e quando se fala em formação, vamos muito além do “conteudismo” que é importante sim, mas o aprendizado adquirido nas relações interpessoais das mais diversas formas contribuem significativamente para a formação do ser humano.

“Quando se abre uma escola, se fecha uma cadeia”, esta não é somente uma passagem de um autor brasileiro reconhecido mundialmente - Paulo Freire - por suas contribuições para com a educação, que inclusive é tão atacado por aqueles que sobrevivem do caos social, a dita bancada da bala hoje é sustentada por esse caos, sabem que sem ele, ela não sobreviverá, e que a medo da população que hoje é lapidado cuidadosamente pela mídia, principalmente pelos programas policiais televisionados, em que a violência social é vendida como peça publicitária, a pirotecnia com que se veicula as notícias violentas acaba arrastando boa parte da opinião pública que tanto padece com a ausência do Estado.

Toda essa narrativa orquestrada pela mídia, e arrastada pelo senso comum, acaba favorecendo a política do ódio, em que as pessoas acham absolutamente normal a violência ser usada para combater a violência como já foi dito, porém se negam a debater os reais motivos do início desse ciclo, que a medida que se inicia, só se interrompe com um forte investimento na base social de tudo isso, a escola.

Escola esta que vem se tentando amordaçar, com o absurdo Projeto de Lei “Escola sem Partido” a Lei da Mordaça, que se aprovada, trará ainda mais alienação aos nossos jovens, que ainda atingirem a idade adulta (ou antes de atingir) terão uma maior vulnerabilidade cognitiva e crítica para escolher o melhor caminho a seguir, abrindo assim um enorme precedente para que esses jovens sejam cooptados para o mundo do tráfico, drogas e do crime.

O falso discurso de que a família é a única responsável pela educação cai por terra, pois muitas das vezes essas famílias encontram-se desestruturadas, e os pais têm suas ocupações diárias, principalmente os que moram longe dos centros urbanos. Dessa forma, todos somos responsáveis pela educação dos jovens, já que a responsabilidade de cuidar dos nossos jovens é de todos nós, desde a família, sociedade e escola.

Por fim, a solução para o problema de caos social, vai muito além de que somente colocar policiais nas ruas para o policiamento ostensivo, mas precisamos mudar a concepção de segurança pública que o Estado adotou, e que infelizmente se sustenta pelo medo provocado justamente pela falsa tática de combate à violência urbana e rural.

Thiago Barbosa é professor da Rede Estadual de Ensino do Pará, vice-presidente da CTB-PA, coordenador estadual do Sindicatos dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará e membro do Diretório Estadual do PCdoB-PA.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

 

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