Rurais
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Com um plenário lotado, foi aberto oficialmente, na noite da segunda-feira (13), o 12º Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (12º CNTTR), no centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília.

Com 53 anos de história, esse é o primeiro Congresso da Contag com a paridade de gênero na participação de delegados e delegadas e na composição da nova Diretoria para a Gestão 2017-2021.

Durante a cerimônia de abertura, a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comoveu o plenário lotado com mais de 2 mil delegados e delegadas oriundos de diversas partes do país. Só a delegação da CTB foi composta por mais de 800 homens e mulheres do campo.

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Adilson Araújo, presidente da CTB, compôs a mesa ao lado de Alberto Hermínio Broch, presidente da Contag. Em sua saudação, o presidente da CTB relembrou a luta da mãe que aos 65 anos obteve a aposentadoria, que a beneficiou por 3 anos.

Adilson ressaltou que, com as novas regras imposta pela ‘reforma’ da Previdência, muitos trabalhadores e trabalhadoras não poderão conquistar o benefício. “Especialmente os rurais, que devido às condições de trabalho, correrão o risco de morrer sem obter o benefício. Não podemos ver esse sistema ser descontruído e achar que é normal. Vamos abandonar o protagonismo e as vaidades. Vamos somar as forças e ganhar as ruas. O que será de nós se não formos capazes de mudar essas regras em 2018? A hora de levantar a bandeira é agora, sacodir a poeira e dar a volta por cima. Vamos à luta!”, finalizou o presidente da CTB.

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Além do ex-presidente Lula, do presidente da Contag e da CTB, a mesa de abertura contou com a presença do presidente da Confederação Nacional dos Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar), Antônio Lucas Filho; do secretário geral da Regional Latino-Americana da União Internacional dos Trabalhadores na Alimentação (Uita), Gerardo Iglesias; do secretário geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Ulrich Steiner; deputados(as) federais; senadores(as); representantes do Governo do Distrito Federal; do presidente da CUT, Vagner Freitas; de representantes da Via Campesina e de outras organizações do Campo Unitário; de prefeitos; vereadores; de representantes do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola para América Latina e Caribe (FIDA), entre outros convidados e convidadas.

“Esse congresso é resultado de uma longa jornada de trabalho, construímos um grande debate nacional, envolvendo as lideranças, e fizemos uma profunda reflexão política. Este congresso marca a mudança na trajetória de luta da Contag: depois de mais de 50 anos de luta conjunta, os agricultores e agricultoras familiares e assalariados e assalariadas rurais agora contam com dois sistemas de organização sindical. É por essa razão que vamos trabalhar com coragem e compromisso para avançar na defesa dos agricultores e agricultoras familiares brasileiros(as)”, destacou o presidente da Contag, Alberto Broch.

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O dirigente também fez referência ao atual momento político e econômico nacional. “Vejo com tristeza e indignação o que vem acontecendo no nosso país, uma profunda crise política e ameaça à nossa jovem democracia. Outro desafio é impedir que os deputados e deputadas façam o Congresso Nacional retroagir, com a tentativa da venda das terras públicas para os grandes fazendeiros daqui e do exterior, através de uma medida provisória. Os maiores patrimônios de um país são o seu povo e o seu território”, defende Broch.

Em consonância com o presidente da Contag, em seu discurso o ex-presidente Lula também convocou os trabalhadores e as trabalhadoras rurais para a luta e relembrou os seus investimentos que fizeram o Brasil avançar no combate à pobreza, na diminuição das injustiças sociais e na valorização e fortalecimento da agricultura familiar. “Estava aqui lembrando da aprovação da Constituição em 88. O PT foi contra porque queríamos mais, mas assinamos porque queríamos participar desse importante momento. Ali aprovamos uma coisa que considerávamos um avanço que foi a inclusão dos agricultores e agricultoras familiares como segurados especiais no Regime Geral da Previdência Social, como também o benefício do BPC, que foi um avanço extraordinário. E hoje, as pessoas que ocupam cargos desse governo, não conhecem o que significa um salário mínimo na vida das pessoas que moram no interior desse país, que faz essas pessoas comerem pão, arroz e feijão todos os dias. Isso é investimento!”

Lula também relembrou dos benefícios gerados pelo programa Fome Zero. “Quando começamos com o programa Fome Zero, começamos com o valor de 50 reais. Criticavam muito, falavam que era esmola. Eu só queria começar e garantir ao pobre, à mulher e ao velho acordar e ter um pedaço de pão para comer. Se o povo comesse cimento eu faria estrada, mas o povo come pão. Com a barriga cheia, o povo vai trabalhar.”

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Também falou de outras políticas e do poder de compra da população que sempre visou em seu governo. “Com o meu diploma primário, eu falo que para resolver o problema da Previdência é só gerar 22 milhões de empregos que o Lula gerou. Vocês lembram dos benefícios do PAA, do Luz para Todos, e me arrependo de não ter investido mais. A educação é o maior investimento que pode ser feito em um país, isso é dar igualdade de oportunidades. A inteligência não tem nada a ver com pobre ou rico. Eles querem diminuir o pouco de conquista que tivemos nos últimos anos. As pessoas querem ter o direito de comprar, querem entrar no supermercado para comprar e não ficar de fora só olhando. Estamos vivendo tempos difíceis porque estávamos acostumados a conseguir as coisas. Quem aprendeu a comer carne de primeira não quer voltar a comer carne de segunda. Quem está errado não é quem quer, está errado quem nega. Estão cortando tudo!”, reforçou Lula.

O companheiro Lula destacou ainda a importância da CONTAG na luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais brasileiros(as) e elogiou a entidade pela efetivação da paridade. “A Contag tem história, as mulheres rurais têm história, e quem tem história não pode aceitar retrocesso. Se trata da gente preparar o nosso povo contra os retrocessos. Que façam valer a trajetória de lutas de vocês, que já conquistaram a paridade, e que sirva de exemplo para as demais entidades”.

Confira os depoimentos dos dirigentes da CTB sobre o 12º CNTTR:

Sérgio de Miranda, secretário de Políticas Agrícola e Agrária da CTB

 

 Portal CTB com a Contag

 

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