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Segundo o último Censo do IBGE, 14 milhões de mulheres vivem no meio rural brasileiro. São as ribeirinhas, extrativistas, pescadoras artesanais, quilombolas, indígenas e agricultoras que trabalham duro mas, assim com as trabalhadoras urbanas, também sofrem com as desigualdades de gênero e a falta de políticas públicas que promovam autonomia e valorização do trabalho feminino, principalmente no meio rural. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), por meio da sua Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais, tem exercido papel fundamental para as conquistas obtidas até aqui. Mas ainda há muito o que avançar. A entidade é responsável pela Marcha das Margaridas, a maior mobilização de mulheres da América latina, que tem obtido grandes avanços para as camponesas. O nome é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários da região.

Para diretora da pasta, Alessandra Lunas, 8 de março é uma data que unifica a luta das mulheres, do campo e da cidade, no mundo inteiro. Em entrevista concedida ao Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Lunas falou sobre os desafios e conquistas das trabalhadoras rurais brasileiras.

Confira pontos da entrevista:

O que representa o 8 de março, no contexto dos movimentos sociais das mulheres rurais?

É um momento de unidade muito grande para as trabalhadoras rurais nas nossas atividades. A gente tem, principalmente, pautado questões que são comuns, buscando integrar esse esforço de luta, num dia que é mundial. Muita gente pensa: “Parabéns pelo dia da mulher”, mas deveria ser o contrário, deveria ser: “Parabéns pela força, pela luta”. Porque este é um dia para darmos visibilidade às lutas que estamos travando no momento. Neste ano, estamos trazendo como principal chamada para as mulheres rurais, em conjunto com outras organizações, a luta contra o retrocesso de direitos. Refletindo, indo para as ruas, em defesa da não redução dos nossos direitos e pelo avanço de outras políticas.

Como você vê o papel da mulher no campo?

A mulher tem um papel importantíssimo, tanto no desenvolvimento da propriedade quanto no próprio desenvolvimento rural. Buscamos dar visibilidade a este papel desempenhado por elas e, principalmente, trazer para as ruas as vozes destas mulheres, pois muitas coisas que elas desenvolvem ainda permanecem na invisibilidade. O desafio é trazer para o debate, para os espaços de construção de políticas públicas a visão e o trabalho dessas mulheres, que são preponderantes na defesa da alimentação saudável, na produção. E não só para o autoconsumo como também para a renda da família. Para nós, é fundamental que isto seja efetivamente reconhecido.

Quais as prioridades na luta das mulheres rurais neste momento?

Desde a Marcha das Margaridas, elegemos alguns pontos centrais que ainda estão sendo dialogados. Esperamos que os anúncios feitos na ocasião sejam concretizados. Então vamos perseguir os cinco eixos que já apresentamos como prioridade para o Governo Federal, além dos quase 300 itens que a pauta tem.
Nossa prioridade é pela efetivação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e pela chegada disso ao campo. Estamos na luta pelo lançamento do Plano Nacional de Agroecologia; pelo não retrocesso de direitos, principalmente entrando no debate da questão previdenciária; e pelo enfrentamento à violência contra a mulher, de forma que queremos ver efetivadas ainda este ano as primeiras turmas das promotoras legais populares, também anunciadas durante a Marcha das Margaridas.

Existem conquistas recentes que podemos ressaltar?

A questão é que as conquistas são lentas. Mas no ano passado, por exemplo, a gente pôde ver efetivadas chamadas públicas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)- específicas para as mulheres, chamadas de agroecologia, reforçando a demanda que sempre trouxemos para termos uma Ater diferenciada. Algumas coisas começam a se efetivar, mas ainda há desafios para serem vistos na prática. Só agora estamos começando a ver mesmo os resultados da última Marcha das Margaridas, em 2011, como as unidades móveis de enfrentamento da violência contra as mulheres, que estão começando a funcionar de maneira mais efetiva nos estados. A conquista, às vezes é lenta, mas quando acontece, a gente vê fazer a diferença na vida das mulheres.

Qual trabalho da Contag em relação às mulheres no campo?

Nosso foco sempre está em fortalecer a agenda política das mulheres. A autonomia econômica é de uma sensibilidade muito grande para nós. Temos priorizado a organização de grupos produtivos de mulheres, trabalhando com elas formação política, conscientização, e a importância delas se articularem nos seus municípios. Para nós é fundamental esse processo que vem sendo construído no meio rural, de chamar para a luta e ter capacidade de pressão, de proposição. E queremos desenvolver isso também no âmbito local – junto aos municípios e aos estados – para que a gente possa garantir efetivamente que algumas políticas conquistadas em nível nacional possam ocorrer nos estados e municípios. É importante também enfatizar as conferências de políticas para as mulheres, que estão nos ciclos estaduais agora. É um evento importante para as mulheres do país todo, não apenas as mulheres rurais, para criarmos uma centralidade e fazer a defesa dos nossos interesses de forma coletiva para de fato avançarmos.


De Brasília, Ruth Helena de Souza – Portal CTB (com MDA)

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