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Protagonismo feminino no campo vem despontando com apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Paraná (Fetaep) e dos Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais.

Antes de começar a trabalhar com produção de rosas no município de Araruna (Região Centro-Oeste), a trabalhadora rural Aparecida Bondezan Ramalho, trabalhava em regime de economia familiar juntamente com o marido, sogros e cunhados no aviário da família. No entanto, após o falecimento do sogro, a família se viu obrigada a reorganizar-se economicamente e buscar alternativas de renda que pudessem complementar os ganhos mensais – uma vez que a propriedade foi dividida. Foi nesse contexto, e pensando em soluções para o problema, que Cida - como é carinhosamente chamada pelos amigos e familiares - tomou as rédeas dos negócios e cogitou investir em uma atividade econômica diferente.

Em 2006, a trabalhadora rural teve a ideia de cultivar e comercializar flores. A partir daí, como ainda não tinha certeza de qual tipo de flor plantar, passou a fazer pesquisas intensas de mercado e pensar em estratégias para que o empreendimento desse certo. “Acreditava muito no negócio. Depois de procurar muitas informações, além de contar com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Araruna (STTR) e da família, optei pelo cultivo de rosas e em 2011 iniciei uma pequena plantação”, conta ela.

De 2011 para cá, sua produção foi aumentando progressivamente e ela passou a viajar em busca de aperfeiçoamento e mais conhecimentos na área. Em 2013, acessou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) por meio do sindicato. Com os recursos, foi possível investir nos negócios e como resultado a família já conseguiu comprar um veículo utilitário usado para o transporte da produção. “Se não fosse o Sindicato, eu não teria conseguido vencer a burocracia para acessar o crédito”, revela a trabalhadora rural que é filiada ao STTR há 11 anos. Hoje sua produção de 9600 pés ocupa um espaço de 3.000 m², com o cultivo de 15 variedades de rosas. O resultado desse desafio pessoal, garante ela, transformou a vida de todos os membros da família, que hoje já não dá conta de atender toda a demanda de clientes e pedidos.

Outra trabalhadora rural que resolveu inovar e colocar seus projetos em prática foi Ivone Francisca de Souza, do município de Colorado (Região Norte). Ela, que começou vendendo ovos em feiras, não estava satisfeita com a renda anual da família, que já não era suficiente para suprir os gastos mensais. “Depois de um ano trabalhando com os ovos, comecei a pensar em alternativas de inovação que pudessem aumentar minhas vendas”, disse.

Ivone revela que ficava pesquisando e se questionando o que faltava na feira e quais estratégias poderia adotar para atrair mais clientes. Foi então, em uma viagem a Maringá, que ela tomou a decisão. “Um dia fui a Maringá e vi que vendiam suco de laranja em uma das barracas, e fazia muito sucesso. Então, decidi apostar nisso”, conta ela. Em 2011, com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Colorado, ela acessou o crédito do Pronaf Mulher, o que lhe permitiu investir e melhorar sua produção.

Atualmente, ela tem quase 200 pés de laranja em sua propriedade de dois alqueires e pretende ampliar o negócio ainda mais, pois almeja vender também as frutas que está produzindo. “Independência financeira empodera as mulheres e gera mais igualdade de gênero. Não deixem de investir emocionalmente e materialmente em seus projetos por falta de estímulo de parentes, marido, ou outras pessoas. É extremamente transformador”, aconselha Ivone.

Para a Fetaep, a história de Aparecida Bondezan e de Inove de Sousa são apenas alguns dos diversos exemplos de empreendedorismo feminino na área rural do Paraná. Assim como as mulheres das regiões urbanas, as do campo desempenham, diariamente, diferentes papeis sociais e econômicos: são trabalhadoras rurais, exercem funções em negócios familiares ou trabalham como autônomas; cuidam dos filhos e ainda são responsáveis por uma parcela desproporcional do trabalho doméstico não remunerado. “Muitas dessas mulheres, porém, estão enxergando no empreendedorismo uma possibilidade viável e desafiadora para a conquista de uma maior autonomia financeira e melhoria da renda familiar mensal ao mesmo tempo”, afirma a secretária de Mulheres da Fetaep, Marucha Vettorazzi.
FETAEP incentiva o empoderamento feminino
Em média, a cada ano, Federação e Sindicatos capacitam cerca de 25 mil mulheres.

Há mais de 20 anos que o MSTTR despertou para a necessidade de organização das mulheres trabalhadoras rurais. No Paraná, em 1994 foi criada a Comissão Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais (Cemtra) que, mais adiante, promoveu a organização das Comissões Regionais. Na sequência, mais um passo importante foi dado. Em 2007, as mulheres passaram a ter uma representante na diretoria executiva da Fetaep, com dedicação exclusiva.

Na Fetaep, a Cemtra – que a partir de 2011 passou a ser denominada Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Paraná – tem como principal objetivo promover cursos, encontros e seminários para a conscientização e qualificação das mulheres sobre os seus direitos. “As ações desenvolvidas pela Secretaria, com o apoio do Senar, contribuem para qualificar a participação feminina nos espaços de decisão, inclusive para assumir cargos de direção dentro do MSTTR, em qualquer instância”, afirma a secretária de Mulheres, Marucha Vettorazzi. Em média, o público feminino atingido gira em torno de 25 mil mulheres ao ano.

Desta forma, munidas de informação e formação, as trabalhadoras rurais ganham voz diante da discriminação, da desigualdade de gênero e da violência doméstica – seja ela de natureza física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. “Uma das nossas linhas de ação é colaborar e incentivar o empoderamento feminino dentro das propriedades rurais”, destaca o presidente da Fetaep, Ademir Mueller. De acordo com ele, o Movimento Sindical luta para que as mulheres sejam protagonistas.

Fonte: Fetaep

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