Sidebar

23
Ter, Jul

Rurais
Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Começou nesta terça-feira (24), em São Paulo, o 4º Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da CTB, com o propósito de discutir a atual realidade do setor no país e fortalecer a luta dos sindicalistas ligados ao campo.

O encontro se encerra nesta quarta-feira (25) e reúne dezenas de lideranças do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MTTRs) de todo o país, que discutem temas como a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar, a partir de um ponto de vista classista, visando ao fortalecimento de suas entidades.

No período da tarde do primeiro dia de debates, o início dos trabalhos foi coordenado por Antoninho Rovaris, secretário de Defesa de Meio Ambiente; e Marucha Vettorazzi, dirigente executiva. 

Adilson Araújo, presidente da CTB, abriu a discussão analisando a composição do Congresso Nacional, com a diminuição da bancada da classe trabalhadora, e defendeu o fortalecimento dos sindicatos para que haja avanço da pauta trabalhista. Para ele há muitas dificuldades para os trabalhadores que são atacados de todos os lados pelas bancadas patronais e ruralistas “Os sindicatos cumprem um papel importante nesse sentido e seu fortalecimento vai nessa direção. É preciso que tenhamos um movimento sindical forte e coeso para fazer o enfrentamento. Nesse processo eleitoral, o espelho da nossa conformação se revelou no Congresso. Resultado que influência diretamente em questões do campo, como a Reforma Agrária”.

 encontro rurais mesa adilson

Adilson Araújo salientou que o país enfrenta um quadro conturbado com uma crise sistêmica capitalista e o momento político exige unidade. “Não saímos dessa turbulência e ainda enfrentamos uma onda golpista contra esse projeto popular, que se agrava quando não conseguimos de forma unitária encontrar o caminho”, advertiu ao lembrar que a unidade encontrada no período eleitoral não encontra eco.
Nesse sentido, para o sindicalista, o momento demanda a necessidade fazer uma leitura mais aprofundada da atual realidade, sobretudo sindical.

“Não é fácil fazer a luta e ainda mais difícil organizar na luta campesina. Porque além das dificuldades citadas, somos vítimas de um conjunto de fatores, como a violência no campo e o trabalho escravo, que infelizmente ainda é uma realidade”, constatou Adilson Araújo ao ressaltar que ainda há muitas fragilidades no governo e na solução de problemas notórios, a exemplo do sucateamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), órgão responsável pela fiscalização dessa situação no campo.“Se o governo investisse no MTE economizaria 80 bilhões combatendo a informalidade e a sonegação do FGTS, Vvalor superior aos 18 milhões que o governo pretende economizar com a retirada de direitos dos trabalhadores”, defendeu Adilson.

A partir dessa constatação, o cetebista afirmou que o caminho é longo, mas que será trilhado com a luta dos trabalhadores do campo e da cidade. “Apesar das dificuldades encontradas temos que cumprir o nosso papel e compete movimento sindical fazer a luta. E a CTB, que é uma central sindical verde, rural, empenhada em defender o trabalhador do campo e da cidade, vai defender essa pauta e avançar na luta”.

Avanços e conquistas

Alberto Broch, presidente da Contag, por sua vez, abordou a conjuntura sindical rural e as perpectivas do MTTRs. O sindicalista relembrou a luta dos contaguianos e dos MTTRs com a ampliação da  participação das mulheres, dos jovens e os avanços obtidos ao longo dos anos. “Conquistamos mais de 80 políticas públicas para o campo nos últimos 20 anos, fruto da luta do movimento sindical rural e conquistado com muito empenho, com a pauta do Grito da Terra, com a luta que ocupa ministérios e que já apanhou da policia”, afirmou Broch ao enumerar os desafios vindouros e as propostas colocadas pela Contag para vencê-los.

 encontro rurais mesa broch

“Não podemos negar que avançamos nesse governo, mas são conquistas da sociedade brasileira que precisamos preservar. E temos desafios enormes pela frente e para isso precisamos nos tornarmos mais fortes e combativos para quebrar a espinha do latifúndio brasileiro fazendo a Reforma Agrária e formalizando os inúmeros assalariados rurais que vivem na informalidade”.

De acordo com o líder contaguiano, nos próximos anos os sindicalistas trabalharão para fortalecer os sindicatos, avançando assim na representatividade do agricultor e do assalariado rural. “Se queremos representar a agricultura familiar precisamos organizar a produção de nossos trabalhadores. Nesse sentido, o cooperativismo e o associativismo se torna cada vez mais importante”, analisou Broch.

Por fim, o sindicalista levantou o maior desafio posto ao movimento sindical do campo e da cidade: a Reforma Agrária. Um tema que se encontra esquecido do atual governo. “O nosso desafio mais complexo é a luta pela Reforma Agrária. Um debate que não está na sociedade, nem no governo ou na opinião pública. Precisamos trabalhar para que o tema volte à discussão, mas com a apresentação de uma proposta com inviabilidade econômica. Precisamos propor caminhos, porque os que existem se esgotaram”, avaliou o presidente da Contag ao propor um grande ato em parceria com entidades do movimento sindical e demais centrais.

“Devemos sair da zona de conforto para enfrentar esses grandes desafios vindouros e precisamos ter olhos para dentro e fora do campo para não perdermos a amplitude de nossa visão e desempenharmos o papel democrático e mais justo que queremos para o nosso país”, finalizou o líder rural.

Nesta quarta-feira (25), os dirigentes voltam a se reunir para debater a organização e ampliação dos trabalhadores do segmento dentro da CTB. 

Cinthia Ribas - Portal CTB

 

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.