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Seg, Maio

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A semana começou com mais uma notícia negativa para o Brasil e a classe trabalhadora. Desde que o governo Temer assumiu há uma rotina de retrocesso, desmonte e enxugamento da máquina pública no país.

O Banco do Brasil anunciou neste domingo (20) um plano reestruturação, que já está sendo executado, com a redução do número de agências e do quadro de funcionários. Segundo as informações divulgadas, a estrutura do BB será reduzida em todos os âmbitos. Na rede de agências, 379 serão transformadas em postos de atendimento e 402 serão fechadas.

O banco comunicou ainda um Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI), de adesão voluntária até 09 de dezembro de 2016, como incentivo aos funcionários em condições de se aposentar. Atualmente 18 mil funcionários do BB estão aptos à aposentadoria. Além dos cortes de dotação de pessoas e o PEAI, o banco também anunciou a ampliação do público alvo da jornada de 6 horas, estendendo a opção aos assessores de todas unidades.

As medidas anunciadas causaram temor. Em meio a atual conjuntura de crise que o país atravessa, a reestruturação tende a aumentar o desemprego no Brasil e a reformulação anunciada pode atingir e prejudicar consideravelmente a vida dos trabalhadores e da população rural.

“Nós estamos muito impactados com essa notícia, aliás eu nunca vi um conselho do Banco do Brasil se reunir num domingo e eles não anunciaram o que vão fazer -  já fizeram. Hoje, pela manhã, falei com um gerente do banco - estão desesperados, entraram no site da instituição e os cargos deles, metade já se foi. Acredito que no campo teremos um grande impacto, justamente pela capilaridade que o BB tem em nossos municípios. Não sabemos se essas tantas agências que vão fechar serão apenas nos centros urbanos ou também nos pequenos municípios, onde os agricultores vão lá para fazer suas propostas de financiamentos.  Se o fechamento de agências atingir o meio rural, os pequenos municípios, teremos um impacto negativo muito grande, inclusive para a Agricultura Familiar, já que o BB é o grande fomentador de empréstimos para toda agricultura, especialmente a AF”, declarou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch.

Para Broch, a função social do banco também será prejudicada ou extinta com a mudança. “Há o impacto político, porque nós temos uma visão de defesa de um banco público, que esteja a serviço da população no Brasil e não um banco com características de privado. Há uma suspeita de que eles podem enxugar a máquina de tal forma para facilitar, inclusive, a venda do BB - isso é muito perigoso. Somos contrários a essa medida que, aliás, acreditamos, está articulada com a PEC 55, a Reforma da Previdência, Trabalhista. Achamos que amanhã ou depois vão mexer na Caixa Econômica também”, ressaltou.

Dirigentes das entidades que representam os trabalhadores na instituição e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil realizaram nesta terça-feira (22), em Brasília, uma reunião com a direção do banco para esclarecimento das medidas e negociação de garantias e direitos dos funcionários afetados.

O diretor jurídico do Sindicato dos Bancários da Bahia, Fábio Lédo, diz que a reformulação anunciada é preocupante e beneficia apenas os trabalhadores em fase de aposentação.

“Existem duas situações a considerar. O plano de aposentaria incentivado, que pode chegar até 15 salários, para aquelas pessoas que já em condições de se aposentar, é um incentivo e isso vinha sendo esperado por boa parte destes funcionários. Paralelo a isso, houve uma reestruturação do BB, com o fechamento de agencias nesse momento de desemprego e recessão, que vai trazer uma perda significativa de postos de trabalho, com o enxugamento do quadro do banco, e vemos isso com grande preocupação. A gente teme que essa seja mais uma política do novo governo para tentar privatizar, futuramente, o Bando do Brasil, reduzindo o custo com a mão de obra. É esse o grande problema. Hoje na reunião fizemos alguns questionamentos sobre essas mudanças - o que vai ocorrer com os funcionários que tiverem seus cargos extintos – e exigimos garantia para esses trabalhadores. Cobramos explicações ainda de como ficará a situação dos que permanecerem.

Para Lédo, a justificativa dada para a reestruturação, que tem o objetivo de reduzir custos, não é aceitável e a mudança é desnecessária, tendo em vista que o Banco do Brasil é uma instituição extremamente lucrativa e pública.

“Essa é uma medida de enxugamento de quadro desnecessária. Primeiro, porque o banco vem reiteradamente apresentando lucros bilionários. Segundo, porque a quantidade de funcionários existente já é subdimensionada, ou seja, o BB já trabalha com o quadro enxuto, diante da quantidade de clientes que tem e não há necessidade de reduzir ainda mais. O Banco do Brasil é um banco público e não pode pensar apenas no lucro, ele tem que estar onde os bancos particulares não estão, por não haver um certo retorno financeiro, apenas social. Há cidades que só tem agencia do BB e o governo deve manter o banco para essas pessoas. Não dá para equipará-lo a um banco privado, pois ele tem seu papel social. Essa reestruturação prejudica os trabalhadores e a instituição.

 

De Brasília, Ruth de Souza – Portal CTB

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