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Seg, Maio

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Em meio à crise político-econômica, ajuste fiscal e iminência de golpe, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, falou ao portal CTB sobre os desafios do movimento sindical rural frente à atual conjuntura. O cenário é nebuloso. Segundo Broch, às vésperas de fundar a Confederação Nacional de Assalariados e Assalariadas Rurais, a Contag tem a missão de fortalecer a luta sindical destes trabalhadores para garantir o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à categoria.


As reivindicações da Confederação junto ao governo contemplam, entre outras coisas, a valorização do trabalhador do campo, mais investimentos na Agricultura Familiar, Reforma Agrária, Saúde, Educação, Moradia e a desburocratização do processo de aposentadoria rural.


Alberto diz que o momento exige ação e defende a união de forças progressistas para combater a crise, desconstruir esse ambiente hostil e promover uma nova ordem econômica e social. “Temos uma enorme crise política, talvez uma das mais sérias, com a imposição de um terceiro turno das eleições. A crise política agravou a crise econômica. Sentimos o desemprego, a inflação. O Brasil está praticamente paralisado, em função de uma oposição raivosa que não deixa a Dilma governar”. Por outro lado, Broch afirma que temos um governo acuado, por conta de toda essa instabilidade.


O sindicalista afirma que é preciso analisar com muita atenção o quadro atual do País e que o povo brasileiro, especialmente a classe trabalhadora organizada, deve voltar às ruas “para propor e defender o modelo de governo que se quer para o Brasil”.


Para o dirigente da maior organização sindical camponesa da América Latina, com 52 anos de fundação, “é preciso cobrar do Executivo a realização das grandes reformas que o país precisa - agrária, política, tributária, a democratização dos meios de comunicação, entre outras, para superar este período difícil, fortalecer a democracia e seguir com desenvolvimento sustentável e justiça social”.


Broch destacou o trabalho de representação da CTB na luta pelos direitos e valorização dos trabalhadores e agradeceu o apoio da central às lutas da Contag. “Neste momento é importante a mobilização das forças progressistas, entidades sindicais, como a CTB e movimentos sociais, para impedir o retrocesso. “Se a classe trabalhadora não se unir e se manifestar será, mais uma vez, a grande perdedora com a crise”.


De 11 a 13 de novembro, a Contag realizará a 4ª Plenária Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, com o objetivo de aprofundar o debate sobre a atual conjuntura, junto às lideranças sindicais das federações e sindicatos. Na ocasião serão estabelecidos planos de ações para fortalecer a luta do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) em defesa dos interesses da classe trabalhadora rural.


Confira trechos da entrevista do presidente da Contag ao Portal CTB


Quais os maiores desafios do MSTTR na atual conjuntura?


Temos dois grandes desafios, do ponto de vista da sustentabilidade da política sindical. Primeiro, fortalecer o movimento como legítimo representante dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, especialmente neste momento em que a Contag trabalha na criação da confederação dos assalariados rurais. E a nossa entidade, a partir do ano que vem, representará oficialmente a Agricultura Familiar. Então, um dos desafios é promover estas duas grandes instituições, para beneficiar os assalariados e fazer com que a Agricultura Familiar no Brasil obtenha cada vez mais espaço no mercado da produção de alimentos. Outra batalha é exatamente a luta política junto ao governo e às instituições públicas, no sentido de assegurar as conquistas dos trabalhadores rurais neste momento de ameaça aos direitos. Nosso grande desafio é evitar o retrocesso patrocinado por este Congresso Nacional conservador que temos aí.


Sabemos que os direitos dos trabalhadores estão sob ameaça, devido a toda essa pressão empresarial, o fortalecimento do neoliberalismo, a ofensiva conservadora. Em sua opinião, quais seriam as principais estratégias de luta? O que a Contag propõe para superar esta crise?


A primeira estratégia que defendemos é a unidade da classe trabalhadora, bem como sua mobilização. Não há instrumento mais poderoso que este. Entendemos que não há outra saída senão ir às ruas. A Contag promoveu grandes mobilizações este ano, com o apoio da CTB e de outras centrais que comungam com a nossa visão. Realizamos mais uma edição do Grito da Terra Brasil, do Festival Nacional da Juventude Rural, com mais de 6 mil jovens e, recentemente, fizemos a 5ª edição da Marcha das Margaridas. Foram milhares de pessoas de todo o País em Brasília, Brasília para propor, negociar e pressionar o governo federal e o Legislativo por políticas públicas que atendam as demandas da classe trabalhadora No entanto, diante dessa pauta conservadora e do comprometimento de muitos parlamentares do nosso time com o ajuste fiscal, não nos resta muito, senão apostar na mobilização de rua.


O que o movimento sindical precisa, neste momento, para ganhar fôlego e se impor?


O ponto de partida é fortalecer cada vez mais as nossas entidades. Não teremos avanços se não houver o fortalecimento dos sindicatos, da federação, da confederação, da central sindical. Isto se dá por meio de debates com a categoria, de plenárias, das alianças, inclusive com deputados e senadores aliados à nossa luta.


Como o movimento sindical rural lida atualmente com esta investida patronal sobre os direitos trabalhistas?


Nós, além de denunciarmos, estamos, permanentemente, pressionando o Poder Executivo, Legislativo, por meio de mobilizações contra essa ofensiva aos direitos dos trabalhadores. Gostaria de chamar atenção para um fato novo – as mudanças na Previdência Social, que já sofreu cortes no orçamento. Mais uma batalha. Este é o momento de nos unir-mos, Contag, CTB e demais centrais, para impedirmos o retrocesso na Previdência, especialmente no capítulo dos segurados especiais.


Como está o diálogo da Contag com o governo?


Sempre tivemos um diálogo muito aberto, mesmo diante da crise, estamos tendo acesso, conversando com os ministros, inclusive já retomamos as negociações após esta reforma ministerial. Agora, esta abertura não significa dizer que avançamos na nossa pauta, porque, muitas vezes, nossa conversa com o governo é truncada, por conta da crise política e econômica. Por isso, entendemos que o Brasil precisa primeiro superar a crise política para poder vencer a instabilidade financeira.


A Contag está satisfeita com a atuação da bancada sindicalista?


Nossa movimentação no Congresso tem sido intensificada no último período, mas estamos em grandes dificuldades. Lutamos constantemente contra as investidas da bancada conservadora, patronal, ruralista, que é maioria e totalmente contra o nosso projeto. Embora tenhamos uma bancada sindicalista, comprometida com nossa luta, atualmente, temos batido de frente com ela, por causa dos compromissos que muitos dos nossos representantes legítimos assumiram, principalmente em favor do ajuste fiscal.

 

Saiba mais sobre a Confederação Nacional dos Assalariados e Assalariadas Rurais:


A proposta da Contag com a criação desta confederação é instituir uma Política Nacional para a classe, atualmente desassistida pelos programas do governo, com foco na geração de emprego, renda, educação e qualificação, promovendo a valorização dos trabalhadores deste setor.


Principais objetivos:


Debater e planejar ações voltadas para a categoria e a prática do trabalho decente


Políticas públicas voltadas para os assalariados rurais, melhoria das condições de vida e trabalho no campo


Combate à informalidade


Promover políticas de alfabetização, qualificação, geração de empregos e a recondução ao mercado de trabalho daqueles que perderem o emprego em virtude da mecanização, automação e inovações tecnológicas


Garantir aos assalariados rurais acesso aos programas de habitação, readequando normas e considerando demandas e especificidades


Garantir a saúde e segurança ao trabalhadores do campo

 

De Brasília – Ruth de Souza - Portal CTB

Foto: César Ramos

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