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Qua, Set

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O grande desafio do movimento sindical brasileiro, em particular da nossa Central, é elevar o nível de consciência e o protagonismo político da classe trabalhadora brasileira. É com essa convicção que comemoramos os três anos da direção eleita, em 24 de agosto de 2013, para gerir a CTB.

Embora em um ambiente político conturbado, marcado por uma das mais longas e graves crises econômicas da história do capitalismo e profunda instabilidade política no Brasil, a nossa Central cresce e se consolida com altivez, determinada e ciente do seu papel na luta em curso.

Em um breve balanço, avalio que nesse último período potencializamos nossas ações. Implantamos um programa de apoio às entidades sindicais, criamos o Posto Avançado de Ação Sindical e Institucional em Brasília, visitamos constantemente a maioria dos estados brasileiros.  

Também precisamos destacar o avanço da central nestes quase dez anos. Hoje, a CTB conta com mais de 1,2 mil sindicatos filiados, 700 devidamente regularizados, e mais de 400 em processo de regularização. Conforme aferição realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nossa Central é a terceira maior central do país no ranking das centrais e a segunda em representatividade, liderando mais de 8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, com um índice de representatividade de 10,8%. Os dados ainda mostram que é a nossa Central a que mais cresce no Brasil (13%).

Na atual conjuntura, que testemunha um ataque frontal à democracia e aos direitos sociais, estamos presentes nas principais trincheiras de luta em defesa do Estado Democrático de Direito, firmes pelo Fora Temer e mobilizados em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

No plano da política sindical mundial atuamos de forma ampla e inclusiva. Destinamos atenção especial à Federação Sindical Mundial (FSM), ampliamos a nossa participação na União Internacional dos Sindicatos (UIS) e devemos fechar esse ano, após a realização do Congresso da FSM, ocupando tarefa de maior responsabilidade internacional na federação.

Elegemos como prioritários os investimentos em comunicação e formação, que ampliamos e fortalecemos na medida das nossas possibilidades. Temos colhido bons resultados das nossas iniciativas. Aumentamos consideravelmente o público do nosso portal, alcançando a marca de 500 mil visitas mensais.

Em relação à formação, além da parceria com o Centro de Estudos Sindicais (CES), estamos procurando viabilizar a criação de uma escola nacional da CTB.

A ênfase na comunicação e na formação são as respostas que consideramos justas ao desafio referido acima de elevar a consciência e o protagonismo político da classe que representamos.

A necessidade de disputar e ganhar mentes e corações do povo brasileiro ficou mais do que evidente nos fatos políticos que temos presenciado ao longo do golpe travestido de impeachment. O papel da mídia hegemônica na manipulação das notícias, disseminação de uma falsa consciência e na alienação e despolitização dos trabalhadores e trabalhadoras é notório.

Também não é difícil deduzir que se as bases que o movimento sindical representa tivessem consciência do significado dos projetos de reformas trabalhista e previdenciária do governo golpista a mobilização em defesa dos direitos levaria milhões às ruas. A consciência de classe é decisiva, assim como decisiva é a falta ou alienação desta mesma consciência.

Nossas humildes realizações sinalizam que ao pavimentar esse novo caminho é preciso levar em conta a dinamicidade que a luta política e econômica assume na atualidade. É indispensável ampliar a organização sindical nos locais de trabalho, no campo e na cidade. Queremos dar maior consequência à defesa da pauta trabalhista, tão severamente atacada pela agenda ultraliberal do governo golpista instalado no Brasil nesta segunda década do século XXI.

Por fim, penso que a CTB tem bons motivos para comemorar o terceiro ano de mandato da atual gestão. Creio que estamos no caminho certo e que se vale o já feito, mas ainda o que virá.

Adilson Araújo - Presidente Nacional da CTB