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Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (6) pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas 2,7% no ano passado, em contraste com a expansão de 7,5% registrada em 2010. O resultado da indústria (1,6%) foi ainda pior, acentuando os riscos da desindustrialização.

A classe trabalhadora e o movimento sindical não têm razão para considerar razoável o desempenho da economia, ao contrário do ministro da Fazenda. O Brasil avançou menos que países considerados em crise, como os EUA e Alemanha, e ficou muito abaixo de outros membros dos BRICS, como China (9,2%) e Índia (6,9%). E a verdade é que poderia avançar muito mais.

A forte desaceleração do ritmo de crescimento foi provocada pela política econômica conservadora, ancorada em juros altos, superávit fiscal e câmbio flutuante. É preciso lembrar que no primeiro semestre de 2011, o Banco Central promoveu cinco rodadas de alta da taxa básica de juros (Selic), enquanto o governo federal cortava mais de R$ 50 bilhões dos gastos e investimentos públicos para cumprir a meta de pagamento dos juros.

Tais medidas, recomendadas pelas forças conservadoras, explicam o desaquecimento do PIB, que estagnou no segundo semestre de 2011. A crise mundial também contribuiu para isto, embora em menor medida. Os juros altos e a política de câmbio flutuante estimularam a valorização do real, incentivando importações em detrimento da indústria nacional. Felizmente, o bom comportamento do mercado de trabalho amorteceu os impactos sociais negativos do baixo crescimento.

Embora o Banco Central tenha mudado a orientação da política econômica, optando pela redução gradual da taxa Selic, os juros praticados no Brasil ainda são os maiores do mundo, para deleite de banqueiros e especuladores, o arrocho fiscal foi renovado este ano e o câmbio continua flutuando ao sabor do mercado, apesar das intervenções do BC. Cabe aos trabalhadores, às trabalhadoras e ao movimento sindical, em aliança com outros setores da sociedade, redobrar a mobilização por mudanças da política econômica, pela redução substancial dos juros e do superávit primário, controle do câmbio e do fluxo de capitais, proteção da indústria nacional contra a desindustrialização, bem como restrição e taxação das remessas de lucros para o exterior.

São Paulo, 6 de março de 2011

Wagner Gomes
Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
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