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Ter, Maio

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A medida está no rumo certo e reflete a forte pressão da sociedade civil e de setores relevantes do governo, o que isolou os monetaristas conservadores liderados por Henrique Meirelles, forçando-os a recuar.

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) considera, porém, que o ritmo das reduções promovidas até o momento é demasiado lento e o Brasil ainda continua liderando o ranking internacional do juro básico real alto, agora situado em cerca de 5%, depois de descontada a inflação, enquanto no conjunto das 30 maiores economias emergentes é em média de 2,5% e nos países mais desenvolvidos (agrupados na OCDE) tornou-se negativo, ou seja, inferior ao índice de inflação. De todo modo, é inegável que a redução tem um impacto extremamente positivo, sobretudo na dívida interna, cujos encargos sofrerão significativa diminuição, o que justifica a demanda do movimento sindical pelo fim do superávit primário e elevação dos gastos e investimentos públicos. Afinal, com dois trimestres consecutivos de queda, a economia brasileira entrou no que os economistas chamam de recessão técnica e os sinais de recuperação são frágeis, principalmente na indústria, que emite sinais preocupantes no ramo de bens de capitais, determinante da taxa de investimento.

Os movimentos sociais e as forças progressistas não podem se acomodar, mesmo porque no próprio anúncio da decisão desta quarta-feira, que não foi unânime (dois membros preferiam uma diminuição menor da taxa, de 0,75%), o Copom sinaliza que vai pisar no freio das reduções, a pretexto de não despertar o fantasma da inflação. Devem continuar mobilizados e pressionando para que os juros sejam fixados em patamares civilizados e também que a redução se estenda ao spread embutido nos empréstimos bancários aos indivíduos e empresas, que na verdade configura agiotagem. Através dos bancos públicos, o governo Lula dispõe de um poderoso meio de enfrentar e solucionar este problema. Embora tímida, a redução dos juros constitui uma vitória das forças progressistas e desenvolvimentistas contra a oligarquia financeira, cujos interesses colidem objetivamente com a necessidade inadiável de desenvolvimento nacional.

São Paulo, 10 de junho de 2009

Wagner Gomes
Presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) 
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