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Sex, Maio

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evo-morales-bolivia-presidenteA classe trabalhadora, os povos e os governos progressistas da América Latina estão indignados com o constrangimento imposto ao presidente da Bolívia, Evo Morales, por alguns países europeus, entre eles França, Portugal, Itália e Espanha, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seus territórios depois de terem autorizado seu trânsito.

O pretexto usado para a atitude que a presidenta Dilma, em nota, considerou “inaceitável” foi a suposta presença do ex-técnico da CIA, Edward Snowden, no avião que transportava Morales. Além de usar uma desculpa fantasiosa, os governos europeus em questão incorreram em “grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações”, conforme denunciou a presidenta brasileira. “Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”, acrescenta a nota.

O episódio - em que, ao lado do espírito colonialista em relação às nações latino-americanas, também transparece o servilismo da velha e decadente Europa diante dos EUA - também foi condenado pelos líderes da Unasul, que deve se reunir para analisar o tema, e da OEA, além de vários governantes latino-americanos.  

Estado policial     

Snowden é um jovem norte-americano que teve a coragem de revelar ao mundo um complexo e tenebroso programa de espionagem dos EUA, em conluio com transnacionais da internet como o Google e Facebook, que invade a privacidade de milhões de indivíduos em todo o mundo, incluindo estadunidenses, e bisbilhota até mesmo os aliados do outro lado do Atlântico.

Documentos vazados por Snowden esclarecem que a National Security Agency-NSA instalou nos últimos três anos microfones na sede da ONU e em serviços estratégicos da União Europeia, vasculhou os correios eletrônicos de aliados europeus e decifrou documentos sigilosos cifrados de pelo menos 38 países.

Aparentando surpresa e indignação, líderes europeus criticaram a conduta do império, mas o incidente com Morales mostra que foi tudo uma cínica encenação. Prevalece o servilismo perante Washington. Por isto, Dilma disse que causa “surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo tempo em que alguns desses mesmos governos denunciaram a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia”.

Embora cultivando a aparência de campeões da democracia e dos direitos humanos, na verdade os EUA estão se transformando num Estado policial armado até os dentes com um arsenal de destruição em massa. Numa arrogância infinita o império se arvora em juiz e verdugo do mundo. Sua política imperialista e belicista conduz à barbárie e é uma clara ameaça e ofensa à Humanidade.

Criminalização da imprensa

O jornalista Glenn Greenwald, do “Guardian”, que divulgou as primeiras revelações do ex-técnico da CIA, denunciou o presidente Barack Obama por tentar criminalizar o jornalismo, em recente entrevista ao jornal “O globo”. “Começou com o WikiLeaks, abriu uma investigação criminal. Mas o WikiLeaks não fez nada que os jornais não façam todos os dias, publicando segredos obtidos de fontes do governo. Agora dizem que posso ser preso ou que cometi um crime porque escrevo esses artigos. Sou jornalista, tenho o direito de fazer isso”. Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acrescentou que “ainda há muitos documentos por vir, sobre mais países que ainda descobrirão que são alvos dos EUA. E o governo não pode fazer nada contra isso. Ainda bem que mora no Brasil essas coisas têm que ser divulgadas.”

O demagogo Obama prometeu transparência em seu governo, mas quando os podres poderes do imperialismo transparecem através da denúncia de jovens rebeldes indignados ele responde com uma implacável caça às bruxas. Fica claro que, como um vampiro, o império não tolera a luz da verdade sobre seus atos, encobertos e adornados com a máscara da hipocrisia.

Conforme salientou a presidenta Dilma “o constrangimento ao presidente Morales atinge não só a Bolívia, mas toda a América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação”.

A CTB também manifesta sua total solidariedade ao presidente Evo Morales e repúdio ao imperialismo europeu e estadunidense. Também é digno da nossa mais ampla solidariedade o jovem Snowden, que teve a coragem de colocar sua vida em jogo para denunciar os tentáculos fascistas do império e hoje está no aeroporto de Moscou, em trânsito, aguardando resposta positiva para seus pedidos de asilo dirigidos a 21 diferentes países ameaçados de retaliação pela Casa Branca.

Nossa luta, como o da classe trabalhadora em todo o globo, é contra o imperialismo, pelo desarmamento nuclear, pela Paz Mundial, respeito ao direito à soberania e autodeterminação das nações, por relações harmoniosas e solidárias entre os povos e nações e pelo socialismo.

São Paulo, 3 de julho de 2013

Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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