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Sex, Maio

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A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) repudia mais uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de se curvar aos interesses do mercado financeiro ao manter, no dia 5 de março, a taxa de juros Selic em 11,25%. A falácia de que o cenário macroeconômico exige cautela é na verdade a velha prática da chantagem com a ameaça de inflação para jogar nas costas da imensa maioria dos brasileiros os custos de uma ciranda financeira que transfere renda dos mais pobres para os mais ricos.

Os índices de inflação de janeiro e de fevereiro na verdade mostraram arrefecimento dos preços. O próprio BC informa que o mercado financeiro prevê que a inflação ficará em 4,41% em 2008 e em 4,22% no ano que vem, frente a uma meta de 4,5%. O que explica então o fato de o Brasil retornar à liderança mundial em termos de taxa real de juros (descontada a inflação) enquanto os países ricos vão em sentido contrário? Uma pista é a orientação dos "analistas de mercado" — uma meia-dúzia de funcionários das instituições financeiras que é semanalmente consultada pelo BC (a pesquisa Focus, que apura as "previsões" de instituições do "mercado" para diversas variáveis macroeconômicas).

Os “analistas” consultados palpitam sobre crescimento, inflação, agronegócio, investimentos e tudo o mais que interessa ao círculo que na prática determina o rumo da economia brasileira. Por tudo isso, a ciranda financeira, que deveria tornar-se menos atraente em confronto com os investimentos em ativos reais e na produção, mantém o seu magnetismo. A CTB reitera seu apoio à reivindicação de ampliação e democratização do Copom com o objetivo de coibir a ditadura do mercado financeiro. Enquanto não houver uma forte pressão popular, esta ditadura continuará mandando na economia brasileira. Para a CTB, o momento é propício para colocar essa justa pressão na ordem do dia.

São Paulo, 6 de março de 2008.

Wagner Gomes, presidente da CTB

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