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Seg, Maio

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A revista Veja que foi publicada hoje (24) pela manhã é um atentado contra o jornalismo brasileiro. A matéria expõe uma suposta ligação entre Dilma, Lula e o esquema de desvio de verbas dentro da Petrobras, e faz isso de forma a construir uma narrativa em que o PT se apropriou da estatal para financiar campanhas e comprar apoio parlamentar. O texto, no entanto, não oferece provas sobre nenhuma das acusações que apresenta. Os advogados do doleiro, aliás, negam categoricamente que qualquer coisa tenha dito nesse sentido.

Essa manifestação desesperada da editora Abril, a dois dias da decisão presidencial, vem carregada de sintomas da mentalidade recalcada que a corporação tem diante dos governos populares. O primeiro deles, e sinal de desespero, é ter-se adiantado a data de publicação da revista para que ela tivesse impacto nos índices eleitorais - normalmente, o veículos é entregue aos domingos.

O segundo é ter-se optado pela distribuição gratuita junto a setores da militância tucana, que nesta sexta-feira fez um trabalho de panfletagem em estações de metrô e trens metropolitanos com a revista. O terceiro e pior sintoma, porém, é a própria forma como a reportagem é construída, sem qualquer questionamento ou imposição de pensamento crítico frente a seu único personagem.

É palpável o destempero com o qual foram tecidas as acusações, que ocupam oito páginas do semanal. Citando exclusivamente o doleiro Alberto Youssef, descreve-se um suposto momento de confissão à Polícia Federal em que o acusado indica “Lula e Dilma” como os mandatários dos desvios da Petrobras. Não há qualquer confirmação da história, não há documentação, não há consultas à Polícia Federal ou ao Ministério Público, não há nem mesmo apuração junto a outros funcionários da estatal. A matéria admite que dá um salto de fé ao confiar cegamente em tudo o que diz Youssef, um criminoso em regime de delação premiada cujos interesses são escusos, na melhor das hipóteses.

O amadorismo é tamanho que o próprio texto, em vários momentos, se manifesta sobre a irrelevância de suas revelações. “Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento”, diz o texto, logo em seu princípio. Mais a frente, continua: “Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa”. Ao final, expõe sua farsa: “Procurados, os defensores do doleiro não quiseram comentar as revelações de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justiça”.

Não há como negar: o que editora Abril promoveu com essa edição golpista da revista Veja foi um premeditado acinte à democracia brasileira. Ao publicar uma peça que mistura denuncismo barato com teorias conspiratórias, o veículo gera desinformação e insufla o sentimento anti-político crescente no país. Não é a primeira vez nem a segunda que a Veja faz isso. Mas, com certeza, essa é a mais desavergonhada de suas achincalhações.

Por Renato Bazan - Portal CTB

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