Sidebar

22
Seg, Jul

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Com forte apoio da mídia burguesa, a oposição neoliberal ao governo Dilma, liderada pelo PSDB, decidiu deflagrar o que o secretário do Tesouro, Arno Augustin, denunciou na terça-feira, 5, como um “ataque especulativo” contra a economia com base em notícias sensacionalistas que dão conta de um suposto (e na verdade falso) descalabro das contas públicas.

Augustin colocou o dedo na ferida ao apontar o monopólio midiático, exercido por meia dúzia de famílias capitalistas, como principal veículo da ofensiva neoliberal. Não é difícil verificar que ele está coberto de razão. Verifiquem o título da manchete estampada na capa da “Folha de São Paulo” desta quarta, 6, “Desconfiança no governo Dilma faz dólar ter forte alta”, ou do principal editorial do “Estadão”, também de hoje, “O alucinante fiasco fiscal”, inumeráveis artigos com conteúdo parecido.

Trata-se de uma campanha bem orquestrada pela direita neoliberal, que compreende também as recentes críticas do FMI à política fiscal e da ex-senadora Marina Silva, que reclamou do suposto abandono do tripé legado por FHC e consagrado na Carta aos Brasileiros, de junho de 2002, que estabelece um conjunto de compromissos com a oligarquia financeira e amarra a política econômica ao tripé neoliberal dos juros altos, câmbio flutuante e superávit primário.

As forças conservadoras parecem perseguir dois objetivos nesta ofensiva: pressionar por novas elevações das taxas de juros, tendo em vista a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), marcada para os dias 26 e 27 de janeiro, bem como por mais cortes nos gastos e investimentos públicos; desgastar o governo Dilma, criar um clima de instabilidade econômica e desestabilização política e dotar a combalida oposição de alguma bandeira.

A receita recessiva que os neoliberais insistem em impor, indiferentes às lições da crise, é o oposto do que reclamam os movimentos sociais e o povo brasileiro e as divergências neste terreno na realidade refletem as contradições e os choques entre os interesses antagônicos das classes sociais.

Os credores da dívida pública, em geral grandes capitalistas, querem garantir a valorização dos seus capitais, o crescimento de suas escandalosas fortunas, mas para que isto ocorra é necessário cortar na carne dos trabalhadores, sacrificando investimentos na saúde, educação, previdência, funcionalismo, infraestrutura e outros. Demandas sociais, como o fim do fator previdenciário e as reivindicações das jornadas de junho, esbarram na política de austeridade fiscal. 

Remando noutra direção, e contra a maré, as centrais sindicais querem a mudança da política econômica, mas em sentido oposto. Reclamam a redução das taxas de juros, o fim do superávit primário, o controle do câmbio e do fluxo de capitais, a taxação das remessas de lucros e o imposto sobre grandes fortunas.

São Paulo, 6 de novembro de 2013.
Adílson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.