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Sex, Maio

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logo ctb webOs resultados das eleições municipais indicam o avanço das forças progressistas identificadas com o projeto de um Brasil mais justo e soberano, o enfraquecimento da direita, sobretudo do DEM, e uma clara polarização em São Paulo, a maior e mais rica capital do país, onde Fernando Haddad, da coligação PT-PCdoB-PSB-PP tendo como vice a comunista Nádia Campeão, enfrentará o tucano neoliberal José Serra.

As forças conservadoras, com o estridente apoio da grande mídia, tentaram manipular o julgamento do chamado mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para reduzir a propensão popular de votar nos partidos de esquerda, porém os resultados colhidos neste sentido até agora foram magros. O povo não se deixou enganar e, embora condenado pelos monopólios da comunicação e alguns ministros do STF, o Partido dos Trabalhadores foi a legenda mais votada em todo o país. Merece registro o crescimento do Partido Socialista Brasileiro, o PSB.

A disputa prossegue em 50 cidades, incluindo 17 capitais que terão segundo turno no dia 28, com destaque para a cidade de São Paulo, que tem o maior colégio eleitoral do país, com 8.616.170 votantes. A candidatura de Celso Russomanno, que chegou a parecer imbatível, não sobreviveu à primeira rodada. Prevaleceu nas urnas, como se imaginava inicialmente, a polarização entre o candidato das forças progressistas, Fernando Haddad, que abocanhou 29% dos votos e o tucano José Serra, que ficou com 30,75%.

O crescimento do petista, que começou a campanha com 3% nas pesquisas, realça o prestígio eleitoral do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, que fez questão de participar do último comício do candidato. O mapa do primeiro turno também evidencia o caráter de classe desta luta, revelando Serra como o candidato dos ricos, vitorioso nas zonas eleitorais frequentadas pela classe média e burguesia e repelido pelos pobres, enquanto Haddad ganha nas periferias, habitadas por trabalhadores e trabalhadoras de baixa renda.

A possibilidade de ampliação da campanha de Haddad é bem maior do que a do tucano. Ele espera e tende a obter o apoio de Russomanno, que obteve 21% dos votos e cujo partido, o PRB, faz parte da base do governo Dilma, bem como do PMDB, cujo candidato, Gabriel Chalita, conseguiu 13,6% dos votos. Chalita é um notório desafeto do Serra e já sinalizou que vai estar em campanha contra o candidato da direita no segundo turno. Além da perspectiva de isolamento, pesa contra Serra o altíssimo índice de rejeição (39% contra 22% de Haddad, segundo o Ibope).

A vocação do PRB paulistano foi antecipada domingo pelo seu presidente, Aldo Rodrigues Ferreira. Ele declarou que “apoiar Haddad é a tendência natural” do partido que dirige. A adesão do PRB e PMDB, aliada ao isolamento e rejeição do tucano, multiplica as chances de triunfo do ex-ministro da Educação em 28 de outubro. Mas não é prudente subestimar o poder de fogo das forças conservadoras em São Paulo. A vitória depende de um esforço redobrado das lideranças da coligação Para Mudar e Renovar São Paulo (PT-PCdoB-PSB-PP) e, principalmente, da militância progressista.

José Serra, apoiado pelas máquinas dos governos estadual e municipal, já deu sinais de que pretende continuar explorando o tema mensalão, apresentando-se como campeão da ética e dos bons costumes, uma imagem falsa para ludibriar os incautos. Afinal, o chefe tucano é o personagem principal do best-seller Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, livro-reportagem mais vendido no país neste ano que desnuda a corrupção de grosso calibre subjacente ao processo de privatização levado a cabo pelo governo neoliberal de FHC.

Apesar do foco prioritário nas questões municipais, não é demais reiterar que o pleito municipal terá desdobramentos relevantes para o futuro do país. Seus resultados, que em dezenas de cidades com mais de 200 mil eleitores só serão plenamente conhecidos após o segundo turno, serão projetados sobre 2014, quando estarão em jogo a Presidência da República e o Congresso Nacional.

Isto é devidamente levado em conta nos cálculos dos partidos políticos e não deve ser esquecido pelos movimentos sociais quando se analisa a importância desta batalha que envolve projetos distintos e contraditórios para a nação. É dever de todo sindicalista classista participar ativamente do segundo turno com o objetivo de derrotar as forças conservadoras e seu projeto neoliberal.

É preciso ajudar o eleitorado a identificar quem é quem, a separar os políticos e partidos que são dignos da confiança popular dos políticos oportunistas e das legendas reacionárias, enganadoras, que abrigam velhas raposas da direita e vendem gato por lebre. A eleição de políticos identificados com a classe trabalhadora e os movimentos sociais, especialmente em São Paulo, reforçará as lutas locais e nacionais por mudanças mais profundas e ampliação das conquistas sociais no país, ajudando a impulsionar a agenda por um projeto nacional de desenvolvimento fundado na valorização do trabalho, na soberania e na democracia, proposto pela 2ª Conclat.

São Paulo, 8 de outubro de 2012.
Wagner Gomes - presidente nacional da CTB

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