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Seg, Maio

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Depois de vencer as eleições de outubro, numa vitória histórica comemorada pelas forças progressistas em todo o mundo e especialmente na América Latina, a presidenta Dilma interpretou com sabedoria o recado das urnas como um clamor popular por mudanças e prometeu empenhar-se para realizá-las, começando pela defesa de um plebiscito popular para definir a reforma política. Mas a direita neoliberal e as forças conservadoras em geral parecem determinadas a sabotar e obstruir o caminho das mudanças.

A aprovação do projeto que suspende o decreto presidencial que criou a Política Nacional de Participação Social, do deputado Mendonça Filho, líder do DEM (uma revanche dos que foram derrotados em 26 de outubro) mostra o horror da direita à ampliação da influência do povo e dos movimentos sociais na elaboração e aplicação das políticas públicas. A mesma fobia antidemocrática revelou-se também nas críticas de líderes do PMDB, partido da base aliada ao governo, à proposta do plebiscito da reforma política, apoiado por mais de 7 milhões de pessoas que votaram no plebiscito popular realizado na primeira semana de setembro.

Os conservadores querem enquadrar a presidenta Dilma e alegam que o Congresso Nacional acaba de ser eleito com a missão de definir a reforma política, admitindo que depois de aprovada pelos parlamentares esta seja submetida a um referendo. Mas a verdade é que o novo Parlamento que surgiu das urnas, produto de um sistema político corrompido e viciado pelo poder econômico, tem uma composição política ainda mais conservadora do que o atual. Por trás da rejeição à participação do povo na elaboração e definição prévia do conteúdo da reforma esconde-se uma ferrenha oposição a uma reforma política democrática e à manobra para manter a sujeição da política e dos políticos ao poder econômico através do financiamento privado das campanhas, que serve fielmente aos interesses da classe dominante.

Os fatos sugerem que o Brasil não vai avançar na direção de uma reforma política democrática e das transformações sociais e políticas que a classe trabalhadora e o povo brasileiro reclamam sem grandes mobilizações e lutas sociais para romper a resistência e a ofensiva da direita neoliberal e das forças conservadoras. Sem mobilização, corremos o sério risco de retrocesso, flexibilização e redução de direitos, ajuste fiscal e desemprego.

Por Adilson Araújo, Presidente da CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

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