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Seg, Maio

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wagner-gomesNesta quarta-feira, 17, as maiores e mais representativas centrais sindicais brasileiras promoverão protestos unificados contra a alta dos juros diante de agências do Banco Central, cujo Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido para definir a nova taxa básica (Selic). A principal manifestação será realizada pela manhã na cidade de São Paulo.

Presenciamos ao longo dos últimos dias uma barulhenta campanha a favor da alta dos juros, liderada pela mídia conservadora e o mercado financeiro. Usa-se como pretexto o combate à inflação. Contudo, os interesses reais que orientam a ofensiva dos rentistas, ampliada pelos holofotes da mídia, não têm muito a ver com a alta dos preços, que afeta principalmente as camadas mais pobres da classe trabalhadora.

O povo é quem de fato tem mais interesses na queda e estabilidade dos preços, mas não é isto que está em jogo neste momento. Conforme argumentam muitos especialistas, a inflação atual, alavancada pelos alimentos, não é provocada pelo crescimento da renda dos trabalhadores ou da massa salarial nem será debelada por medidas de política monetária. Não é uma eventual alta da Selic que vai solucionar este problema, cujas causas estão associadas a outros fatores, inclusive de origem externa.

Na realidade, a pressão pela alta dos juros traduz outros interesses, obscuros, porém bem mais concretos. A elevação das taxas significa bilhões de reais a mais no bolso dos credores e especuladores detentores da dívida pública. Os juros pagos traduzem uma brutal transferência de renda do setor público para os rentistas, que ocorre em detrimento dos investimentos públicos, da saúde, da educação e do desenvolvimento nacional.

A classe trabalhadora, os empresários do setor produtivo e em geral os consumidores ficam no prejuízo. Os juros no Brasil são um escândalo e, apesar da reorientação da política monetária no governo Dilma, a economia nacional continua vítima de uma das maiores taxas reais de juros e o spread mais extorsivo do mundo.

Diante dos sinais de capitulação das autoridades econômicas à pressão do sistema financeiro as centrais sindicais vão às ruas nesta quarta para registrar a indignação e o protesto da classe trabalhadora. Temos consciência de que isto não basta. A classe trabalhadora não é o único segmento da sociedade prejudicado pela provável alta da Selic.

A maioria da sociedade brasileira - incluindo amplas parcelas do empresariado, com a notável exceção dos credores rentistas - só tem a perder com o retorno de uma política monetária conservadora. As centrais estão fazendo o dever de casa, mas é indispensável maior unidade e uma mobilização bem mais ampla da sociedade para confrontar o capital financeiro, impedir a alta dos juros e prosseguir no caminho das mudanças rumo a um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, soberania e democracia.

Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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