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Total solidariedade à greve dos têxteis de Blumenau

Cerca de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras da indústria têxtil de Blumenau, em Santa Catarina, estão em greve neste momento em repúdio à intransigência patronal na negociação da pauta de reivindicações apresentada pela categoria. As empresas do ramo registraram um expressivo aumento da produtividade do trabalho ao longo dos últimos anos, estimado em 5% em 2006 e 6% em 2007, o que acarretou notável crescimento da produção, do faturamento e dos lucros. Todavia, os patrões não querem conceder aos operários uma parte desses notáveis ganhos de produtividade ao mesmo tempo em que intensificam a exploração.

A oferta patronal de reajustar os salários segundo o índice oficial de inflação acrescido de míseros 0,5% foi rechaçada e considerada com toda justiça como uma ofensa intolerável. O salário inicial de um operário têxtil nas empresas da cidade catarinense é de apenas 498 reais subindo para R$ 552,00 após o período de experiência (90 dias). Em função dos baixos salários, a perda decorrente da alta dos alimentos observada no primeiro semestre deste ano foi bem maior que o índice oficial de inflação. A cesta básica aumentou 26%.

 A categoria, que em Blumenau é a maior do ramo no Brasil e na América Latina, é composta em sua maioria (65%) por mulheres, que também se destacam na mobilização e na greve. Depois de exaurir todas as possibilidades de negociação, o Sindicato convocou uma assembléia geral no dia 27 de setembro, que decretou estado de greve. As paralisações começaram, por empresa, no dia 6 deste mês e foram se alastrando pouco a pouco. Estima-se, hoje, que pelo menos 5 mil operárias(os) estão parados e a tendência é de ampliação do movimento. A direção da Hering Omino, paralisada no dia 9-10, chamou a polícia e a tropa de choque chegou a ocupar a fábrica para aterrorizar as(os) operárias(os), inclusive usando gás lacrimogêneo e cachorros, porém os grevistas não se deixaram intimidar.

Operários e operárias reclamam também do assédio moral e da crescente pressão das chefias para intensificar o ritmo de trabalho e aumentar a produtividade. Isto resulta no crescimento das doenças do trabalho e em sérios constrangimentos no ambiente de trabalho, já que o patronato não aceita atestados apresentados pelos funcionários(as) fornecidos por médicos que não sejam os da empresa.   

É a primeira greve da categoria depois de 19 anos. A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) manifesta sua total solidariedade à luta dos trabalhadores e trabalhadoras, repudia a repressão policial e a intransigência patronal, fruto da ganância, e exige o atendimento das justas reivindicações da categoria.

 

14 de outubro de 2008

Wagner Gomes

presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

 

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